A Finlândia lidera, pelo segundo ano consecutivo, um ranking da ONU das populações mais felizes, onde os investigadores dizem que os níveis de felicidade no mundo estão a diminuir. O Relatório Mundial sobre a Felicidade de 2019, realizado pela Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, classificou, pelo segundo ano consecutivo e de entre 156 países, a Finlândia como a nação com cidadãos mais felizes, e com Portugal a surgir na posição 66, subindo do anterior lugar 77.

O relatório de 134 páginas, compilado pelos economistas John F. Helliwell, Richard Layard e Jeffrey D. Sachs, mostra que, em geral, os níveis de felicidade diminuíram em todo o mundo, apesar do crescimento económico contínuo, o que prova que a receita para a felicidade está no equilíbrio de muitas variáveis. O índice baseia-se em fatores que incluem a riqueza económica, a expectativa de vida, o apoio social, a liberdade para fazer escolhas de vida e os níveis de corrupção governamental.

O índice, que divulgou esta quarta-feira os dados para 2018, revela que outros países nórdicos, como a Dinamarca, a Noruega e a Islândia estão bem colocados no ranking, acompanhados de Holanda, Suíça, Suécia, Nova Zelândia, Canadá e Áustria. Os Estados Unidos caíram do 18º para o 19º lugar, apesar de terem beneficiado de uma economia em expansão nos últimos anos, acompanhando a tendência geral de menores níveis de felicidade.

Estes são os vinte países que lideram o ranking dos países mais felizes entre 2016 e 2018

Apesar de ainda estar longe dos vinte países mais felizes, Portugal revela progressos, tendo subido do 77º lugar para a 66º posição do ranking

A tendência, segundo os especialistas, é explicada, em parte, por quedas acentuadas na felicidade em países densamente povoados como Estados Unidos, Egito e Índia. “A tendência mundial de um declínio considerável na felicidade média, apesar do crescimento geral do PIB per capita, é prova de que medir a felicidade e a satisfação com a vida em termos de riqueza económica não é suficiente”, disse Meik Wiking, CEO da agência Happiness Research Institute, de Copenhaga, na Dinamarca, que participou do relatório.

Wiking acredita que a erosão da felicidade nos Estados Unidos pode ser atribuída a uma “crise social” em que muitos norte-americanos sentem cada vez mais que não podem confiar nos seus concidadãos e que “não têm ninguém com quem contar em momentos de necessidade”. O especialista acrescenta que “a divisão entre ricos e pobres também cria uma erosão da coesão e da confiança entre as pessoas, que é tão vital para a sensação de segurança e, portanto, para o nível geral de felicidade do povo americano.”

Por outro lado, vários países, incluindo Portugal, revelaram um acrescento de participação em ações de solidariedade e de voluntariado, o que pode ajudar a compreender como Portugal passou do lugar 77 para o lugar 66. Este fator de integração, de efeito positivo, contrasta com o tempo que as pessoas passam em dispositivos eletrónicos e nas redes sociais digitais, hábitos que contribuem para a baixa interação social e para menores índices de felicidade.

O fator de desenvolvimento económico também continua a ter um papel relevante no índice, comprovado pelo facto de vários países na base do índice sofrerem de graves crises e problemas económicos: o Sudão do Sul é o país menos feliz, antecedido da República Centro-Africana e do Afeganistão.