As dez pessoas que assaltaram a embaixada da Coreia do Norte em Madrid no dia 22 de fevereiro passaram por Lisboa para fugirem para os Estados Unidos, avança o El País. Não se sabe, no entanto, como é que este grupo, que já tem sete pessoas identificadas, chegou a Portugal. Os assaltantes apanharam um avião no Aeroporto Humberto Delgado com destino ao aeroporto de Newark, em Nova Iorque, segundo informa o juiz da Audiência Nacional, José de la Mata.

No dia do assalto, os 10 indivíduos, liderados por um cidadão mexicano a viver nos Estados Unidos, Adrian Hong Chang, sequestraram os funcionários norte-coreanos durante quatro horas enquanto reuniam computadores e documentos para roubar. As unidades contraterroristas da polícia receavam que o material servisse para fins militares ou terroristas, particularmente durante a cimeira entre o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, que teve início no dia 27 de fevereiro de 2019, no Vietname.

Segundo o auto do tribunal, depois do assalto, o grupo dividiu-se em quatro grupos e deslocou-se para Lisboa, onde apanhou um avião para os Estados Unidos. Ainda de acordo com o tribunal, os indivíduos identificaram-se como membros de uma associação dos direitos humanos para a libertação da Coreia do Norte.

O documento elaborado pelo tribunal conta ao detalhe como foi tudo preparado para este assalto. Hong Chang começou por comprar algum material de combate numa loja em Madrid, adquirindo quatro facas de combate e seis armas HK. Outros membros do grupo, com idades entre os 20 e os 22 anos, compraram outro tipo de materiais, como tesouras, 33 rolos de fita dupla, fita americana e alicates.

No dia 22 de fevereiro, pelas 16h34, o líder do grupo de assaltantes apareceu no edifício da embaixada norte-coreana e pediu para ver o responsável de negócios, que já conhecia de uma visita anterior em que se tinha feito passar por um empresário. Segundo o juiz, o homem aproveitou uma distração de segurança e conseguiu colocar mais membros do grupo dentro do edifício. Já no interior, “começaram a golpear violentamente quem lá estava até conseguirem imobilizá-los”, refere o juiz, acrescentando que, já depois de conseguirem imobilizar as pessoas que estavam dentro da embaixada, Adrian Hong Chang colocou um pin com a cara de Kim Jong-un na roupa, fingiu-se passar por um alto representante do organismo, abriu a porta às autoridades e assegurou que nada se passava lá dentro.

Entretanto, acrescenta o documento, três dos assaltantes levaram o responsável de negócios para uma das salas e incitaram-no a abandonar a Coreia do Norte. No entanto, este assegurou que não o iria fazer e que não iria trair o seu país, voltando para o local onde toda a gente estava. O grupo manteve-se na embaixada durante várias horas e roubou materiais como pen drives, dois computadores, dois discos rígidos e um telemóvel.

De seguida, roubaram três veículos que pertenciam à embaixada e fugiram do local.Não se sabe, no entanto, se terão vindo de carro para terras portuguesas. Cinco dias depois do assalto, foi o próprio Hong Chang a dar informações ao FBI sobre tudo o que aconteceu, bem como a revelar o material audiovisual que obteve.