Era uma entrada esperada, mas que dependia de alguns pormenores. Agora, as trotinetes elétricas da Bird, uma empresa norte-americana de mobilidade elétrica e a grande rival da Lime nos Estados Unidos, tiveram luz verde da Câmara Municipal de Lisboa e começam a partir desta segunda-feira, 1 de abril, a andar pelas ruas da capital portuguesa. Ao todo, serão disponibilizados 250 veículos pela cidade.

A empresa desenhou o seu próprio modelo de trotinete, em parceria com a empresa Okai, criando assim o modelo Bird Zero, que será utilizado em Portugal. Estes veículos podem andar a uma velocidade máxima de 24 quilómetros por hora e, tal como as regras da autarquia obrigam, não permitem o estacionamento nas zonas vermelhas de Lisboa, isto é, zonas do centro histórico, como o Bairro Alto e Alfama.

“Queremos que a Bird seja a alternativa de transporte para os cidadãos de Lisboa que querem deslocar-se na cidade de uma forma sustentável e responsável”, referiu Patrick Studener, vice-presidente da Bird na EMEA (Europa, Médio Oriente e África), citado em comunicado. Durante a apresentação aos jornalistas, Yenia Zaba, responsável de comunicação da Bird para o mercado EMEA, referiu que a Bird tem trabalhado ao longo de quatro meses com a autarquia, de forma a preparar a entrada em Lisboa. “Queremos ser responsáveis e queremos ensinar de volta essa responsabilidade aos nossos condutores”, referiu.

As trotinetes podem ser utilizadas entre as 7h e as 21h de cada dia, por pessoas com mais de 18 anos. Durante a noite, estes veículos serão recolhidos por 11 pessoas de uma empresa externa de frotas, “para que a cidade fique limpa durante a noite”. Deste grupo, quatro elementos são os “Bird Watcher”, que controlam a localização e o estado das trotinetes disponíveis na cidade, de forma a rastreá-las em tempo real durante o dia e a repo-las se estiverem mal estacionadas. Na app da Bird há também um Community Mode que permite que os próprios cidadãos possam denunciar e avisar a empresa cada vez que encontrem uma trotinete mal estacionada ou danificada.

Em relação aos preços, a Bird segue o exemplo praticado pela concorrência, cobrando um euro para desbloquear a trotinet e e15 cêntimos por minuto. A empresa demonstrou, no entanto, a intenção de aplicar descontos no futuro para quem utilize os seus veículos corretamente. Para conseguir uma trotinete, o utilizador precisa de fazer download da app da empresa, seguindo-se um mapa com os locais onde os veículos estão disponíveis, tendo o utilizador que utilizar um QR code para desbloquear o veículo.

A empresa desenhou o seu próprio modelo de trotinete (a Bird Zero), em parceria com a empresa Okai

Yenia Zaba destaca ainda a flexibilidade do número de trotinetes que a Bird disponibiliza em Lisboa.”Se a cidade nos disser que daqui a uma semana vai ter uma maratona em Lisboa e muitas ruas vão estar cortadas, nós diminuímos a frota nessa altura”, explicou. Tudo, acrescenta, para “acompanhar a procura”.

Durante o diálogo com a Câmara Municipal de Lisboa, foram determinados alguns requisitos a ser cumpridos pela empresa: assegurar que não permitem o estacionamento nas zonas vermelhas e fornecer à autarquia o acesso a dados (anónimos) sobre as viagens e sobre a localização GPS das trotinetes.

Fundada em 2017, a Bird já está presente em mais de 100 cidades a nível mundial, oito delas na Europa. É mais uma empresa a entrar em Lisboa, depois da Lime, Hive, Voi, Bungo, Tier, Wind, Iomo e, mais recentemente, a Flash.

Esta quarta-feira, recorde-se, o vereador da Mobilidade da Câmara Municipal de Lisboa revelou que existem atualmente cinco mil trotinetes na capital, sendo efetuadas 10 mil viagens diariamente. Miguel Gaspar admitiu ainda a possibilidade de estabelecer números máximos destes veículos em determinadas zonas da cidade.

Câmara de Lisboa admite números máximos de trotinetes em determinadas zonas