E vão dois. Tal como já tinha sido anunciado pelo BPI, também o BCP vai passar a cobrar por cada transferência por MBWay, ainda que garantindo uma isenção para clientes até 23 anos ou que tenham uma de cinco contas “especiais”.

Mas vamos por partes. Em fevereiro, o BPI lançou a “bomba”: a partir de 01 de maio começaria a cobrar 1,20 euros (mais imposto de selo) aos clientes que fizessem transferências através da aplicação gerida pela SIBS. O banco anunciou logo exceções ao pagamento: caso o cliente aderisse à Conta Valor, uma conta pacote que tem um custo mensal associado, ou se utilizasse o MBWay de uma forma (completamente) contrária ao uso para que foi criado, através da aplicação do BPI no telemóvel.

Tal como o BPI, de acordo com os preçários, outros grandes bancos também já previam um custo nestas transferências. Só que na realidade não o estavam a fazer. O que o BCP tornou público esta segunda-feira é que vai alterar essa prática. O banco publicou um novo preçário atualizado e a novidade é que o banco liderado por Miguel Maya junta-se ao BPI: a partir de 17 de junho vai passar a cobrar pelas transferências por MBWay, ainda que com bastantes ressalvas.

Para começar, os clientes até aos 23 anos ficarão isentos. Tal como os clientes com contas “Programa Prestige”, “Prestige Direto”, “Portugal Prestige”, “Cliente Frequente” e “Millenium Go!”. Todos os clientes fora destas condições vão passar a pagar 1,20 euros (mais imposto de selo) por cada transferência feita pela app MBWay e 50 cêntimos (mais imposto) se for feita pela app do BCP para telemóvel.

Até aqui, o BCP tinha inscrito no preçário um valor de 1,35 euros por cada transferência MBWay para contas de outros bancos (o valor mais alto entre todos os bancos, ainda que não os estivesse a cobrar). Em fevereiro, a Caixa Geral de Depósitos tinha inscrito um valor a cobrar de 20 cêntimos e o Novo Banco 15 cêntimos por operação. Estes bancos, porém, também não estavam a fazer cobrança dos valores inscritos.

Dois casos diferentes: tanto o Santander como outro banco espanhol a operar em Portugal, o Bankinter, não cobram qualquer valor pelas transferências MBWay, em linha com a isenção de custos que está no preçário. Fonte oficial do Santander Portugal confirmou que estas operações não têm qualquer custo previsto no preçário, mas não excluiu que as transferências com MBWay possam vir a ser alvo de cobrança no futuro.

O anúncio do BCP de que vai passar a cobrar a partir de 17 de junho surge numa altura polémica para o sistema MBWay. Na semana passada, o jornal Público que dava conta de “uma elevada desconfiança entre os utilizadores” desde que surgiram notícias de que alguns bancos vão passar a cobrar pelas transferências com a app do MB Way nos casos de clientes que não subscrevam produtos específicos do banco. Na altura o BPI, mas agora também o BCP.

A SIBS garantiu na altura que “o MB WAY não só não está a decrescer em atividade, como está a crescer“, com “mais de 1,25 milhões de utilizadores” que fazem “mais de 3,5 milhões de operações por mês, entre pagamentos, transferências e outras operações.

O Público escrevia que “os pagamentos realizados através do MB Way diminuíram a partir do momento em que o BPI criou uma comissão de 1,20 euros a aplicar às transferências de dinheiro realizadas através deste serviço”. A “elevada desconfiança” era, dizia o jornal, “visível no número de transações que passam pela EUPAGO, empresa portuguesa especializada no apoio a  pagamentos realizados através da Internet”. Essa empresa ligada aos pagamentos era a única fonte citada pelo jornal.

“É falso que o número de pagamentos realizados com MB WAY tenha diminuído, antes ou depois de qualquer comunicação sobre potenciais comissões cobradas nas transferências pelas entidades bancárias aderentes: comparando o 1º trimestre de 2019 (que não está terminado) com o 4º trimestre de 2018, um trimestre marcado por elevado número de operações, fruto do período do Natal e de dias especiais, como a Black Friday, verifica-se um crescimento superior a 16%”.

A SIBS indica que no primeiro trimestre de 2019, que ainda não terminou, se registaram “mais de 10,3 milhões de operações, ou seja, o número de operações triplicou face ao mesmo período de 2018“. A empresa, cujos acionistas são os principais bancos a operar em Portugal, “pode ainda reforçar que o crescimento é verificado na generalidade de operações disponíveis no MB WAY, sejam compras ou transferências”.