Espanha

Vox fica fora dos debates das eleições espanholas por decisão da junta eleitoral

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Uma decisão da Junta Eleitoral Central fechou a porta ao Vox no debate com os quatro maiores partidos, alegando problemas de "proporcionalidade". Decisão surge após queixa de partidos regionalistas.

Santiago Abascal, líder do Vox, insinuou que Pedro Sánchez esteve por trás desta decisão. Pablo Casado, do PP, acrescentou: "De quem tem medo?"

MIGUEL RIOPA/AFP/Getty Images

Afinal, o Vox não vai participar nos debates que vão anteceder as eleições gerais de Espanha, de 28 de abril. A notícia surge depois de uma decisão da Junta Eleitoral Central, que interditou aquele partido de participar num debate programado pelo grupo mediático Atresmedia (dono da televisão La Sexta e da rádio Antena 3), que deveria acontecer entre o PSOE, o PP, o Unidas Podemos, o Ciudadanos e aquele partido de extrema-direita.

Na base da decisão está o facto de o debate não só prever a participação do Vox — que, para já, não tem representação nas duas câmaras do parlamento espanhol — como ainda afastar dele partidos mais pequenos que ali estão representados. Foram precisamente três destes partidos — Esquerda Republicana da Catalunha, Coligação Canária e o Partido Nacionalista Basco — que apresentaram a queixa à Junta Eleitoral Central que culminou nesta decisão.

De acordo com a avaliação da Junta Eleitoral Central, citada pelo El País, um debate entre os quatro maiores partidos de Espanha e o Vox “é contrário ao princípio da proporcionalidade, que deve ser respeitado pelas televisões privadas durante os períodos eleitorais”.

O fundador e líder do Vox, Santiago Abascal, reagiu no Twitter à notícia, insinuando que o governo de Pedro Sánchez estará por detrás desta decisão:

Há quem não saiba o que fazer para excluir o Vox ou incluir os seus sócios separatistas e golpistas no debate”.

No post partilhado por Santiago Abascal, escrito pela ex-deputada do União Progresso e Democracia Rosa Díez, era recordado que, em 2015, houve debates com o Ciudadanos e o Podemos, apesar de estes partidos não terem, à altura, representação parlamentar.

Do outro lado do espetro político, também o líder do Podemos, Pablo Iglesias, se insurgiu contra a decisão anunciada esta terça-feira. “A junta eleitoral deveria obrigar todos os candidatos à presidência a debater na televisão pública pelo menos duas vezes. Vetar candidatos na [televisão e rádio] privada é absurdo. Há que legislar já para tornar os debates de candidatos obrigatórios”, escreveu no Twitter.

Também o presidente do Partido Popular, Pablo Casado, reagiu à notícia atirando contra Pedro Sánchez, mas insistindo noutro ponto: a recusa de Pedro Sánchez em debater exclusivamente Pablo Casado. Mas as recusas do líder socialista não ficam por aí: Pedro Sánchez começou por rejeitar um debate a quatro (PSOE, Unidas Podemos, Partido Popular e Ciudadanos) na TVE, mas aceitou um debate a cinco (juntando o Vox) nos meios do grupo Atresmedia.

“Os espanhóis merecem que os dois únicos candidatos que podem presidir ao Governo debatam cara a cara e conheçam os dois modelos que há para Espanha: o de Sánchez e os seus sócios ou o do líder da oposição que lhe tira 50 deputados”, escreveu, para depois concluir: “De quem tem medo?”

A menos de duas semanas das eleições de 28 de abril, as sondagens apontam o PSOE como favorito destacado, mas, ainda assim, aquém de conseguir uma maioria absoluta. Para lá chegar, de acordo com as sondagens, o partido de Pedro Sánchez teria de chegar a um acordo à esquerda (com o Unidas Podemos, que surge em quarto nas sondagens) e também com alguns dos partidos independentistas — fórmula que manteve, desde junho de 2018, o governo do PSOE no poder, até que os independentistas catalães lhe retiraram o apoio.

Esta semana, os independentistas catalães da ERC e do PDeCAT reafirmaram a sua disponibilidade para tornar a apoiar Pedro Sánchez — mas na condição de que admita a realização de um referendo à independência da Catalunha, algo que o socialista rejeita liminarmente.

Outra opção de Pedro Sánchez poderia ser um pacto que incluísse o Ciudadanos e/ou o Partido Popular (em terceiro e segundo lugar, respetivamente). Porém, ambos os partidos negam qualquer vínculo pós-eleitoral com o PSOE, preferindo apostar num bloco à direita, onde se encontra também o Vox, para o qual as sondagens preveem o quinto lugar. Porém, de acordo com as projeções de assentos conquistados no Congresso dos Deputados, o bloco da direita não deverá conseguir conquistar deputados suficientes para conseguir formar uma maioria — ficando sempre aquém dos 176 necessários para governar.

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