Espanha

Espanha. Detidos quatro empresários que despiram farda a funcionário ferido para ocultar acidente de trabalho

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Trabalhador espanhol ficou gravemente ferido ao operar uma empilhadora sem formação adequada. No caminho para o hospital, onde morreu, retiraram-lhe a roupa que tinha o logótipo da empresa.

Caso remonta a 2018 e passou-se em Cádiz, Espanha

ESTELA SILVA/LUSA

Quatro empresários foram detidos em Espanha por homicídio negligente de um trabalhador de uma empresa de montagem e instalação de infraestruturas, segundo avança o El País. A vítima de 42 anos ficou ferida com gravidade ao operar uma empilhadora elétrica e um administrador e um coleaga terão tentado ocultar que se tratava de um trabalhador da empresa tirando-lhe a farda no caminho para o hospital.

O caso passou-se em Chiclana de la Frontera, em Cádiz, e remonta a 17 de julho de 2018. Segundo a Guarda Civil espanhola, responsável pela investigação, o trabalhador ficou preso no sistema de elevação da máquina. A vítima não dispunha de formação adequada para utilizar o equipamento nem vestuário de segurança. No seguimento dos ferimentos, um administrador e um trabalhador da empresa levaram o colega para um centro médico num carro particular.

No percurso, os dois “despiram-lhe a farda de trabalho, que tinha o logótipo da empresa, para não despertar suspeitas e assim evitar responsabilidades”, esclarece a Guarda Civil espanhola. A vítima acabou por morrer horas depois, no Hospital Universitário de Puerto Real, para onde havia sido transferido dado a gravidade dos ferimentos.

Na altura, os arguidos alegaram que o trabalhador tinha sofrido uma queda fora do horário de trabalho e a família da vítima apenas recebeu uma pensão de morte por contingências comuns.

Numa investigação iniciada em janeiro deste ano, a Guarda Civil espanhola provou que “o falecimento do trabalhador se deveu à falta de formação para operar a maquinaria que estava a utilizar”.

A operação, denominada Fenwich (nome pelo qual é conhecida a empilhadora) procurou reconstruir os eventos e concluiu também que o operador não dispunha de equipamento adequado para utilizar a máquina.

Esta foi apenas uma das várias irregularidades que os agentes responsáveis pela investigação detetaram na empresa, em colaboração com a Inspeção Geral de Trabalho. A vítima não estava inscrita na Segurança Social, assim como os restantes trabalhadores da empresa, e a administração não dispunha de planos de segurança ou evacuação. A Guarda Civil considerou que a empresa revelava “desprezo” pelas normas de segurança vigentes.

Os quatro empresários foram detidos no final do mês de março e libertados pouco depois com julgamento pendente. Estão acusados de homicídio negligente e atentado aos direitos dos trabalhadores. Enfrentam ainda sanções da Inspeção Geral de Trabalho e da Segurança Social pelas irregularidades detetadas e uma multa da Gerência Urbana de Chiclana.

O fim da investigação policial permitiu à mulher e aos filhos da vítima regularizar as pensões de viuvez e orfandade.

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