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Liberdade de Imprensa

Há cada vez menos países seguros para os jornalistas, advertem Repórteres Sem Fronteiras

A RSF lançou um 'ranking' mundial da liberdade de imprensa e refere que apenas 24% dos territórios analisados apresentam uma situação considerada "boa" ou "relativamente boa".

Assédio, ameaças de morte e detenções arbitrárias são cada vez mais frequentes

CLEMENS BILAN/EPA

Autor
  • Agência Lusa

A liberdade de imprensa tem continuado a deteriorar-se em muitos países, “onde o ódio aos jornalistas se transformou em violência”, advertiu a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), no relatório anual publicado esta quinta-feira.

O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a atividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação”, destacou a organização não-governamental (ONG).

De acordo com a edição de 2019 do ‘ranking’ mundial da liberdade de imprensa, elaborado pela RSF, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

Depois de ter aumentado nos últimos anos, “a hostilidade contra os jornalistas, e até mesmo o ódio transmitido em muitos países por lideranças políticas, resultou em atos de violência mais graves e frequentes”, sublinhou.

A ONG observou “um aumento dos riscos” e, como resultado, “um nível de medo sem precedentes em determinados lugares”. Assédio, ameaças de morte e detenções arbitrárias são cada vez mais frequentes.

Pelo terceiro ano consecutivo, a Noruega parece ser o país mais favorável ao desenvolvimento da liberdade de imprensa, enquanto a Finlândia subiu duas posições para o segundo posto. A Suécia ocupa o terceiro lugar.

A RSF também destacou o progresso da Etiópia, que subiu 40 lugares para 110.º, e da Gâmbia, que avançou 30 lugares para 92.º.

No outro extremo, o Turquemenistão, cujo regime não deixou de reforçar o controlo da imprensa e continua a perseguir os últimos correspondentes clandestinos da comunicação social no exílio, retirou a última posição à Coreia do Norte.

No Vietname e na China, a imprensa oficial controla os debates públicos e dezenas de jornalistas “dormem atrás das grades”, frisou.

O relatório prestou ainda especial atenção aos Estados Unidos, “onde um clima cada vez mais hostil se instalou na esteira da postura do Presidente Donald Trump em relação aos meios de comunicação” social.

“Os jornalistas norte-americanos nunca tinham sido alvos de tantas ameaças de morte. Nem tinham recorrido a empresas privadas para garantir a sua segurança”, lamentou a organização.

Um esquema repetido na Índia, onde jornalistas que criticam a ideologia nacionalista hindu são qualificados como elementos “anti-indianos”, no Brasil, onde “a imprensa se tornou alvo dos apoiantes do Presidente Jair Bolsonaro”, ou na Itália, com o ministro do Interior, Matteo Salvini, a questionar a proteção policial do jornalista Roberto Saviano, atribuída pelas ameaças de morte da máfia napolitana.

“A perseguição de jornalistas que interferem com os poderes estabelecidos parece não ter limite”, indicou a ONG, destacando “o sórdido” assassínio do jornalista saudita Jamal Khashoggi, “cometido a sangue frio no consulado da Turquia em outubro passado” e que “enviou uma mensagem assustadora aos repórteres muito além das fronteiras do reino da Arábia Saudita”.

Por região, a maior degradação ocorreu no continente americano, onde, além dos Estados Unidos e do Brasil, a situação piorou significativamente na Venezuela e na Nicarágua, enquanto o México continua a ser um dos principais palcos de homicídios de jornalistas, com dez vítimas em 2018.

A situação também piorou na Europa, com assasínios de jornalistas em Malta, na Eslováquia e na Bulgária, e ataques verbais ou físicos na Sérvia e no Montenegro, enquanto na Hungria o partido do Presidente Viktor Orbán “continua a desprezar os meios de comunicação social”.

Um capítulo especial é dedicado a França e aos ataques recebidos pelos repórteres, especialmente das emissoras de televisão, que cobriram as manifestações contra o poder dos chamados “coletes amarelos”.

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Helena Matos
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