Rádio Observador

Egito

Egípcios votam em referendo emendas à Constituição

Alterações à Constituição, caso sejam aprovadas, vão permitir a Abdel Fatah al-Sissi, presidente desde 2014, continuar à frente do país até 2030.

Mohamed Hossam/EPA

Autor
  • Agência Lusa

Os egípcios começam este sábado a votar no referendo sobre as alterações à Constituição, que permitirão a Abdel Fatah al-Sissi, presidente desde 2014, continuar no poder até 2030. Durante semanas, as ruas do Cairo e de outras cidades do país viram florescer cartazes favoráveis à revisão da Constituição de 2014, que limita a dois o número de mandatos presidenciais.

As emendas que permitem alargar o mandato do Presidente de quatro para seis anos, com término em 2024, foram aprovados na terça-feira no parlamento, por esmagadora maioria. O chefe de Estado poderá então apresentar-se a um terceiro mandato e governar até 2030.

As novas disposições, que terão que ser aprovadas no referendo, também preveem uma limitação da autonomia judicial e a institucionalização da ingerência das Forças Armadas, pilar do regime, na vida política.

Mustapha El-Sayyid, professor de ciência política da Universidade Americana do Cairo, frisou, em declarações à agência France-Presse (AFP), que esta série de emendas “não tem precedentes na história (moderna) do Egito”.

A votação no referendo decorre até dia 22, segunda-feira. Al-Sissi, no poder após ter liderado um golpe de Estado militar em 03 de julho de 2013 quando assumia a pasta da Defesa e que derrubou o Presidente islamita Mohamed Morsi, foi reeleito Presidente em 2018. De acordo com o portal noticioso egípcio da Internet Mada Masr, as autoridades bloquearam na segunda-feira 34.000 páginas daquela rede para “silenciar” a campanha da oposição contra as emendas constitucionais.

A oposição à revisão constitucional esteve praticamente remetida às redes sociais. A larga maioria dos ‘media’, em particular a televisão, reproduz e enfatiza o discurso de Al-Sisi, diabolizando as vozes críticas, na sua maioria remetidas a um exílio forçado.

Na semana passada, a Human Rights Watch (HRW) apelou ao Congresso norte-americano para não apoiar a “repressão no Egito”, quando Al-Sissi se encontrava de visita a Washington para reunir-se com o seu aliado Donald Trump.

Segundo aquela organização não-governamental (ONG), o “projeto de reforma constitucional (….) institucionaliza o reforço do autoritarismo”. “Caso sejam adotadas, estas emendas constitucionais agravariam a crise devastadora dos direitos humanos” do Egito, alertou a HRW.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)