As fuel cells, ou células de combustível a hidrogénio, que a Toyota domina melhor do que ninguém, gerando energia eléctrica pela associação de hidrogénio e oxigénio, são uma das soluções com maior potencial para viabilizar os automóveis eléctricos. Ainda são caras e grandes, mas a nova geração, que o construtor japonês vai apresentar ainda este ano, vai melhorar consideravelmente estes dois aspectos.

Apesar de estarmos a falar do futuro dos veículos eléctricos, trata-se de uma tecnologia que foi descoberta em 1838. Contudo, a sua primeira aplicação prática fica a dever-se à NASA, que decidiu em 1960 ser esta a melhor solução para fornecer energia aos astronautas do seu programa espacial, que os levou à Lua em 1969. Além de gerar energia, garantia aos seres humanos igualmente água e aquecimento, fundamental quando a temperatura lá fora oscilava entre -130ºC durante o dia e -170ºC à noite.

Para a NASA, cada fuel cell podia custar milhões, mas para que a Toyota as possa instalar no interior dos Mirai, e ainda assim realizar algum lucro, é necessário produzir as células de combustível em maior quantidade e menor preço, o que não se tem revelado uma tarefa fácil.

Eléctricos. Toyota diz ter solução para fuel cells

Uma situação similar poderá acontecer com as baterias sólidas, aquelas em que em vez de termos um líquido (o electrólito) a banhar os eléctrodos (tanto o ânodo como o cátodo), há um sólido a realizar esse serviço. O pai das baterias de iões de lítio, que hoje todos utilizam, John Goodenough, trabalha com a investigadora portuguesa Helena Braga numa solução em que o electrólito é um tipo de vidro. Isto permite incrementar a densidade energética, aumentar a segurança, a longevidade e a capacidade de resistir ao aquecimento em carga e em descarga, além de reduzir dramaticamente os custos, a dimensão e peso.

Descoberta portuguesa revoluciona baterias

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Se todos os fabricantes de baterias estão a tentar desenvolver baterias sólidas, é bem possível que seja mais uma vez a Lua a experimentá-las pela primeira vez. Para a expedição lunar de 2021, a Hakuto-R, descrita como a primeira exploração privada do satélite natural da Terra, a NGK está a desenvolver baterias sólidas e faz questão de as utilizar na viagem. O mais curioso é que a NGK é muito conhecida no mundo automóvel, mas apenas como fabricante das velas de ignição utilizadas pelos motores a gasolina.

Há vários desafios em cima da mesa – a começar por ser uma tecnologia que a NGK não domina –, mas todos parecem estar tranquilos com a situação. A prova está no facto de a NGK e dos responsáveis pela Hakuto-R terem anunciado que vão colocar à prova, ainda que em regime experimental, as baterias sólidas, sob condições que são tudo menos favoráveis para os acumuladores. O que não deixa de constituir uma excelente operação publicitária. Ao que parece, a NGK está a trabalhar num electrólito cerâmico com base num óxido, provavelmente de zircónio.