A “Guerra dos Tronos” é o fenómeno do momento e uma das séries televisivas mais vistas da história. À volta dela há teorias sobre tudo: a história de cada personagem, quem vai ser o próximo a morrer, quais as teorias mais loucas para o seu final e há também quem identifique momentos da História como base para a série. Foi o que fez a BBC ao investigar o que pode ter inspirado George R.R. Martin na criação de alguns momentos e personagens da série televisiva. Desde o significado da muralha de gelo ao casamento vermelho, eis os momentos que os britânicos encontraram e que ligam a “Guerra dos Tronos” à História.

Spoiler alert: se ainda não viu a famosa série, não desça mais.

A Guerra das Rosas: uma batalha sangrenta pelo trono. Na série, assistiu-se à Guerra dos Cinco Reis, uma guerra civil em Westeros que pôs em combate cinco pretendentes ao Trono de Ferro: Joffrey Baratheon, Stannis e Renly Baratheon, Robb Stark (o Rei no Norte) e Balon Greyjoy (Rei das Ilhas de Ferro). Ora ao longo de 30 anos, entre 1455 e 1485, também Inglaterra assistiu a uma autêntica guerra entre famílias rivais (os Iorque e os Lencastre) pelo trono britânico.

Joffrey, refere o artigo, assemelha-se à figura de Eduardo de Lencastre, o filho ilegítimo do rei Henrique VI que se casou com a implacável Margarida Anjou, aparentemente parecida com a personagem Cersei na “Guerra dos Tronos”. A casa real a que pertencem é a dos Lannisters, cuja sonoridade também remete para os Lancasters. Na Guerra das Rosas, Henrique Tudor derrotou o último rei de Iorque, assumiu o trono e acabou casado com Isabel de Iorque. E o artigo questiona: será que na “Guerra dos Tronos” Daenerys Targaryen poderá casar com Jon Snow?

Muralha de Adriano: George R.R.Martin, autor da série televisiva do momento, admitiu que a ideia da criação da muralha de gelo surgiu durante uma visita que realizou à Muralha de Adriano, perto da fronteira de Inglaterra com a Escócia. O muro de Martin foi construído a partir com gelo, estende-se por 482 quilómetros e foi projetado para impedir a entrada dos “wildlings” ou “selvagens” no reino, e dos White Walkers.

Já a Muralha de Adriano localizava-se entre Wallsend, em North Tyneside, e Bowness, em Solway, em Inglaterra, e também ela foi construída para guardar a fronteira. Neste caso, impedia que as tribos da Escócia entrassem no noroeste da fronteira do Império Romano.

O Império Romano: o artigo da BBC indica também que muitos estudiosos identificaram vários elementos semelhantes aos do Império Romano no mundo ficcional da “Guerra dos Tronos”. Nas cenas em Essos, por exemplo, surgem arenas com aparência dos tempos de gladiadores, a comida e até mesmo as latrinas (casas de banho públicas) são semelhantes ao que se via no Império Romano.

O jantar negro: um dos eventos mais marcantes da “Guerra dos Tronos” é o casamento vermelho, onde Robb Stark, a sua esposa Rainha Talisa e a sua mãe Lady Catelyn foram assassinados durante o casamento de Edmure Tully com Roslin Frey.

Este massacre, refere a BBC, poderá ter sido inspirado por dois episódios da história escocesa e um da japonesa. Na Escócia, durante o Jantar Negro de 1440, o conde de Douglas, de 16 anos, e o seu irmão mais novo foram decapitados durante um jantar com o rei James II, com apenas dez anos de idade. Ainda na Escócia, a série tem elementos do Massacre de Glencoe de 1691, quando soldados fiéis ao rei Guilherme de Orange assassinaram vários elementos do clã MacDonald enquanto estes dormiam. Já no Japão, também se encontram semelhanças com o Kojiki, um conto antigo japonês onde o imperador Jimmu mata todos os seus rivais políticos durante uma festa.

Império Mogol: Além do Império Romano, a série de George R. R. Martin mostra semelhanças com o Império Mogol, que existiu na Ásia e na Europa entre os séculos XVI e XIX. Uma das figuras míticas deste império, Genghis Khan, executou os seus inimigos através da colocação de metais preciosos fundidos nas suas cabeças. Também Khal Drogo, um dos líderes do povo Dothraki, que casou com Daenerys Targaryen, utilizava esta técnica, ainda que através de ouro e não prata, como fazia Genghis Khan. Foi assim que matou Viserys, irmão de Daenerys. Também a forma como morreram é semelhante: Genghis terá morrido devido a uma infeção numa ferida, enquanto Khal Drogo sufocou depois de uma infeção o ter deixado catatónico.

O cerco de Constantinopla: a decisão de Stannis Baratheon em cercar a capital dos sete reinos, King’s Landing, num evento que ficou conhecido como a Batalha da Baía da Água Negra tem, segundo a BBC, algumas semelhanças com aquilo que foi o segundo cerco árabe de Constantinopla em 717-718, quando o califado omíada (o segundo dos quatro principais califados islâmicos estabelecidos após a morte de Maomé) atacou a capital do Império Bizantino.

Depois de vários episódios complexos que obrigaram a conflitos civis, trapaças (fraudes) e travessias duplas, os agressores de Constantinopla foram derrotados através do fogo grego, uma substância cujos ingredientes não são conhecidos, mas que podiam incendiar em contacto com a água e levar à destruição dos navios inimigos antes de chegarem a terra. Na “Guerra dos Tronos”, Stannis e a sua marinha são derrotados depois de serem submetidos ao fogo selvagem, que faz praticamente a mesma coisa que o fogo grego.