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Sri Lanka

O homem mais rico da Dinamarca que perdeu 3 filhos e a mãe que tomava o pequeno-almoço com o filho. As vítimas do Sri Lanka

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O homem mais rico da Dinamarca perdeu três dos seus quatro filhos. Uma mãe que tomava o pequeno-almoço com o filho e cinco funcionários de um partido indiano morreram num hotel.

Pelo menos 290 pessoas morreram nos atentados no domingo de Páscoa no Sri Lanka

AFP/Getty Images

Uma mãe que tomava o pequeno-almoço com o filho, cinco funcionários de um partido político indiano, uma chef famosa e três dos quatro filhos do homem mais rico da Dinamarca estão entre as pelo menos 290 pessoas que morreram na sequência das oito explosões neste domingo, num atentado terrorista de ataques coordenados em igrejas e hotéis no Sri Lanka.

À medida que as autoridades vão recolhendo os corpos e identificando as vítimas, vão-se conhecendo algumas das histórias de quem perdeu a vida neste ataque. Das 290, a maioria são naturais do Sri Lanka — sobretudo cristãos que se encontravam em várias igrejas a celebrar a Páscoa.

35 vítimas serão estrangeiras, que estavam sobretudo em hotéis de luxo, incluindo dinamarqueses, australianos, americanos, chineses, japoneses, britânicos, turcos e indianos — além de um português: Rui Lucas, um homem de 30 anos, natural de Viseu que se encontrava em lua-de-mel no Sri Lanka.

Homem mais rico da Dinamarca perdeu três filhos

Três dos quatro filhos do milionário dinamarquês Anders Holch Povlsen, principal acionista da marca de compras online ASOS, morreram nos atentados, confirmou o porta-voz da empresa, Jesper Stubkier.

Segundo a imprensa dinamarquesa, Anders Holch Povlsen, proprietário do grupo de vestuário Bestseller (ao qual pertence a marca Jack & Jones, por exemplo), estava no Sri Lanka de férias com a mulher e os quatro filhos no momento dos ataques. Holch Povlsen é o maior dono de terras na Escócia e ocupa o 252º lugar na lista de bilionários da revista Forbes.

Anders Holch Povlsen (Fotografia: TARIQ MIKKEL KHAN/AFP/Getty Images)

Pedimos que respeitem a vida privada da família e não temos mais comentários”, disse à AFP Jesper Stubkier, responsável da comunicação da Bestseller.

Não foram indicadas as idades das vítimas. Anders Holch Povlsen, de 46 anos, herdou o grupo Bestseller, criado em 1975 pelos seus pais, Merete e Troels Holch Povlsen. O grupo, que diz ter quase 3.000 pontos de venda em 70 países, tem marcas como Vero Moda, Only e Jack & Jones. Holch Povlsen é também acionista maioritário da marca britânica de vendas na Internet ASOS e possui ações da Zalando, especialista alemã de vendas online.

A mãe e o filho que tomavam o pequeno-almoço no hotel

Entre as vítimas mortais encontra-se também Anita Nicholson, uma advogada britânica de 42 anos que se encontrava a tomar o pequeno-almoço com o seu filho Alex, de 11 anos, no hotel Shangri-La, em Colombo, a capital do Sri Lanka. De acordo com a imprensa britânica, Anita e Alex estavam numa fila durante o serviço do pequeno-almoço quando um bombista suicida se fez explodir nessa mesma fila.

Anita Nicholson, que trabalhava em Singapura, estava naquele hotel com os dois filhos e o marido, Ben Nicholson, de 43 anos. O homem sobreviveu — será, de acordo com a imprensa britânica, o único elemento da família que não morreu nos atentados. Isto porque a filha do casal, Annabel, ainda não terá sido encontrada nem identificada entre as vítimas.

Cinco funcionários de um partido político indiano

Também entre as vítimas estarão pelo menos cinco funcionários do partido indiano Janata Dal Secular (JDS), que estavam no Sri Lanka de férias após terem trabalhado, na última quinta-feira, nas eleições que decorrem durante este mês naquele país. Pelo menos sete funcionários do JDS estavam a passar umas férias no hotel Shangri-La morreram na mesma explosão que vitimou Anita Nicholson e o filho, durante o pequeno-almoço.

Os outros dois elementos do grupo ainda estão desaparecidos. Através do Twitter, o líder do partido H. D. Kumaraswamy, que é também líder do governo regional do estado indiano de Karnataka, confirmou a morte dos quatro funcionários do partido, que se encontravam “numa viagem ao Sri Lanka”.

Uma chef celebridade, minutos depois de uma selfie

Shantha Mayadunne era uma das cozinheiras mais conhecidas do Sri Lanka. No domingo encontrava-se a tomar o pequeno-almoço como familiares no hotel Shangri-La, em Colombo, quando um bombista suicida se fez explodir. Minutos antes, a filha da chef, Nisanga Mayadunne, tinha tirado uma fotografia com várias pessoas, incluindo a cozinheira, à volta da mesa.

A morte da chef e da filha foi confirmada no Facebook por um elemento da família. “Ontem perdemos a minha bela tia Shantha Mayadunne (3.ª a contar da direita) e a minha prima Nisanga (a mais à direita) para os ataques terroristas no Shangri-La em Colombo. Não há palavras que possam descrever a dor. Eram a família mais amável que alguém podia pedir e ficarei sempre grato por as ter tido na minha vida. Descansem em paz”, escreveu Manik Mayadunne no Facebook.

O neto de um deputado do Bangladesh

O neto de Sheikh Fazlul Karim Selim, deputado no parlamento do Bangladesh, foi uma das vítimas mortais já identificadas.

Zayan Chowdhary, o neto de Selim, morreu no seguimento de uma explosão que ocorreu no hotel onde estava alojado com a família. Ainda não se sabe, porém, qual o unidade hoteleira onde se encontrava. O assistente pessoal de Selim contou ao Dhaka Tribune que o pai de Chowdhary também terá ficado ferido no rebentamento.

Dois engenheiros turcos

Serhan Selcuk Narici mudou-se para Colombo em março de 2017 para trabalhar como engenheiro elétrico. No domingo às 5h da manhã, enviou uma mensagem ao pai através do WhatsApp, a dizer “bom dia”. Foi a última vez que o pai teve notícias dele, de acordo com declarações do homem à agência turca Anadolu.

O último trabalho feito por Serhan Selcuk Narici tinha sido no edifício da embaixada norte-americana em Colombo.

O outro turco que morreu nos ataques chamava-se Yigit Ali Cavus e também era engenheiro. De acordo com a BBC, ainda não é claro onde estavam os dois engenheiros turcos na altura dos ataques que vitimaram perto de três centenas de pessoas em igrejas e hotéis.

Deputada britânica de ascendência bengali perdeu familiar

A deputada britânica Tulip Siddiq, do Partido Trabalhista, anunciou no Twitter que perdeu um familiar, que não identificou. “Perdi um familiar hoje nos ataques do Sri Lanka. É tudo tão devastador. Espero que toda a gente esteja segura”, escreveu Siddiq, exprimindo “solidariedade para com o povo do Sri Lanka”.

Tulip Siddiq é sobrinha da atual primeira-ministra do Bangladesh, Sheikh Hasina, e neta do primeiro presidente do Bangladesh, Sheikh Mujibur Rahman.

Norte-americano que trabalhava em editora nos EUA

A CNN noticiou já esta segunda-feira que entre as vítimas mortais norte-americanas se encontra Dieter Kowalsi, natural do estado do Colorado, que trabalhava na editora Pearson.

Foi a própria empresa que confirmou a morte do funcionário, numa carta aberta assinada pelo presidente da editora, John Fallon, em que o responsável descreveu Kowalsi como tendo “um grande coração”.

[Nova bomba encontrada perto de igreja no Sri Lanka. Detonação foi controlada]

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