Música

Maria João Pires distinguida com Medalha de Mérito Cultural do Ministério da Cultura

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A cerimónia ocorre no dia 19 e a distinção será entregue pela ministra da Cultura, Graça Fonseca. A pianista será distinguida no Centro Belgais para o Estudo das Artes, em Castelo Branco.

Maria João Pires nasceu em 1944 e é a mais internacional e reputada pianista portuguesa

ELVIRA URQUIJO A./EPA

A pianista Maria João Pires vai ser distinguida, no domingo, com a Medalha de Mérito Cultural, em Belgais, Castelo Branco, anunciou esta segunda-feira o Ministério da Cultura.

A medalha será entregue pela ministra da Cultura, Graça Fonseca, após o recital “De Budapeste ao Delta”, do ciclo de concertos “O Fio do Danúbio”, marcado para as 16h30, no Centro de Artes de Belgais. O programa “O Fio do Danúbio”, cujos concertos esgotaram todos, foi anunciado no final do ano passado, depois dos concertos de Natal e de Ano Novo, que marcaram o regresso de Maria João Pires a Belgais.

A atribuição da Medalha de Mérito Cultural a Maria João Pires “traduz, simultaneamente, um gesto de reconhecimento e de agradecimento do Governo Português de uma vida dedicada à música”, refere a tutela num comunicado enviado à agência Lusa, no qual recorda que a pianista “ao longo de mais de sessenta anos desenvolveu um trabalho de exceção, tornando-se exemplo internacional e elevando a interpretação musical ao panteão da excelência”.

A escolha de Belgais foi uma opção deliberada da pianista pelo isolamento, segundo a apresentação do centro, na Internet. “Uma escolha desafiante e difícil, que parecia necessária para a plena implementação das conceções musicais e humanísticas” de Maria João Pires.

A pianista criou em 1999 o Centro Belgais para o Estudo das Artes, em Escalos de Baixo, Castelo Branco, um projeto educativo, pedagógico e cultural, com impacto na região, que chegou a ter o apoio do Ministério da Educação. Dez anos depois, em 2009, o centro encerrou alegando na altura uma “difícil situação económico-financeira”. No ano passado, o projeto foi renovado e reativado como Centro de Artes de Belgais, disponibilizando-se retiros musicais, espaço para atuações e oficinas de música. Há ainda uma valência de alojamento e de produção de azeite, como se lê na página oficial.

No final do ano passado, contactado pela agência Lusa, o administrador do Centro de Artes de Belgais, Vítor Dias, explicou que, em 2009, o projeto “havia encerrado devido à ocupada agenda de Maria João Pires”. Em 2010, pouco depois do encerramento do anterior projeto, Maria João Pires afirmava, em diferentes entrevistas para a imprensa estrangeira, que iria avançar com um projeto social semelhante no Brasil, país onde pediu dupla nacionalidade. Ao longo da última década, a pianista admitiu algum cansaço e intenção de se retirar dos palcos, embora tenha feito algumas atuações, sobretudo fora de Portugal.

Maria João Pires nasceu em Lisboa, a 23 de julho de 1944. É a mais internacional e reputada das pianistas portuguesas, com um percurso artístico que remonta a finais dos anos 1940, quando se apresentou pela primeira vez em público, aos quatro anos. Entre os prémios conquistados pelo talento artístico contam-se o primeiro prémio do concurso internacional Beethoven (1970), o prémio do Conselho Internacional da Música, pertencente à UNESCO (1970), e o Prémio Pessoa (1989).

Em 2010, numa entrevista ao jornal Evening Standard, de Londres, declarou que “gostaria de se poder retirar”. “Já toquei muito. Toquei durante 60 anos, e acho que é demais”. Nessa entrevista ao jornal britânico, Maria João Pires garantiu que mantinha “o mesmo entusiasmo pela música”, que continuava a gostar de tocar, embora sentisse uma mudança de atitude: “Eu não gosto de estar no palco – eu nunca gostei – mas uma coisa é não gostar, outra é não conseguir lidar com isso. Não estou a lidar bem com isso agora. Uma vez que comece a tocar, é o mesmo de antes, mas depois sinto-me muito mais cansada, porque é tão exigente – não física, mas psicologicamente”.

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