Considerado “o maior evento de cultura contemporânea em Portugal e um dos maiores da Europa”, este ano, o Serralves em Festa enquadra-se nas comemorações da casa, os 30 anos da Fundação e os 20 anos do Museu, uma vez que “recupera alguns nomes e espetáculos que já terão marcado presença em Serralves com algum impacto nas suas áreas”, bem como algumas performances inéditas.

A 16ª edição começa às 18h de 31 de maio e termina à meia noite de 2 de junho. Junta artistas nacionais e nomes oriundos de todo o mundo em centenas de atividades. Há música, dança, teatro, performance, circo contemporâneo, exposições, cinema, vídeo, fotografia e inúmeros workshops, em 50 horas consecutivas. Eis alguns destaques:

Emmanuelle Huynh + Drumminh Grupo de Percussão

31 de maio, Auditório de Serralves

DR

A coreógrafa francesa Emmanuelle Huyhn, que tem uma longa relação com a programação de artes performativas de Serralves, regressa agora para apresentar a recriação de um espetáculo que levou ao Museu em 2010. Esta nova versão, Cribles /Live Porto, reúne une onze intérpretes e seis músicos em palco, numa colaboração com o Drumming Grupo de Percussão, nascido no Porto em 1999, aqui dirigido por Miguel Bernat. Os músicos, segundo o dispositivo inventado por Xenakis, circunscrevem a cena, rodeando bailarinos e espectadores. A espacialização da música e a escrita da partitura instauram assim uma terceira dimensão no espaço teatral que resulta desta relação de energias em consequência do seu efeito sonoro mas também da força e determinação dos corpos dos intérpretes envolvidos. “Vemos música ou ouvimos dança?”

Gustavo Ciríaco

1 e 2 de junho, Casa e Parque de Serralves

Foto: Filipa Couto

“Cortado por todos os lados, aberto por todos os cantos” é o projeto intemperante, que já passou por Lisboa e pelos Açores, onde o artista brasileiro Gustavo Ciríaco irá reconfigurar o interior e o exterior da Casa e do Parque de Serralves, numa exposição através da arquitetura como escultura expandida. O coreógrafo, inspirado no modo subtil como os artistas minimalistas incluem algum tipo de interação nas suas obras, explora a relação entre o local e o público, posicionando-o num lugar privilegiado onde é convidado a transportar-se e a descobrir novas perceções da realidade. Gustavo tem atuado em projetos no espaço urbano e em paisagem, e, mais recentemente, em projeto de museu.

Volmir Cordeiro

1 e 2 de junho, Arboreto

Foto: Hervé Veronese

“Céu” é o primeiro solo que o coreógrafo e intérprete brasileiro Volmir Cordeiro assina como autor e onde procura experimentar a personificação de outras vidas condenadas ao desaparecimento, à exclusão e à marginalidade. Através de um processo de intensificação da memória de corpos de mendigos, camponeses, prostitutas e imigrantes, Volmir dança a energia e o vigor desses seres anónimos, tentando uma aproximação corporal, simbólica e imaginária com uma parcela da humanidade, composta por aparências inquietantes, corpos miseráveis, vergonhosos, embaraçantes e renegados pela história. Já em “Rua”, o interprete encarna múltiplos corpos e rostos, onde o espaço é percorrido e atravessado pelo bailarino e redesenhado pelos seus movimentos, convertendo-se numa abstração aberta, enquanto condensa no seu corpo as mais diversas e marginais personagens da fauna urbana. Volmir constrói a sua coreografia a partir de poemas sobre a guerra de Bertolt Brecht, através de uma dança de pensamento e de corpo.

Chloé Moglia

1 e 2 de junho, Clareira das Azinheiras

Foto: Louis Fernandez

“La Spire” é o grande espetáculo de circo contemporâneo desta edição e conta com muitas acrobacias nas alturas. A performance nasceu do desejo da coreógrafa francesa Chloé Moglia de implementar a suspensão tendo o céu como cenografia e organização espacial. A artista idealizou uma estrutura-escultura, leve e monumental, materializada numa espiral de fio de aço, formando três loops sucessivos de sete metros de diâmetro, com cerca de dezoito metros de comprimento. Nesse espaço de suspensão e suspense, habita um grupo de mulheres, seis acrobatas, que convidam o público a seguir a evolução ascendente desta espetacular acrobacia aérea. Força, energia, tenacidade e determinação coexistem com delicadeza e sensibilidade. Marielle Châtain, música multi-instrumentista, acompanhada com o seu saxofone barítono e algumas máquinas de som, contribui para desenhar o espaço e o tempo musical d’A Espiral.

Miguel Pereira

1 de junho, Clareira das Bétulas

Foto: Lais Pereira

O coreógrafo e bailarino português, cujo trabalho tem sido apresentado um pouco por toda a Europa, participou no primeiro Serralves em Festa, em 2004 e regressa agora com um espetáculo de variedades que celebra o evento e os 30 anos da Fundação. “The Big Show SEF” é o inédito onde o artista recorreu às memorias, aos testemunhos e às sensações de atores e espectadores que contribuíram ao longo de 16 edições para história do Serralves em Festa. Com a presença de alguns convidados surpresa e participação especial do Dj Urânico e MC Sissi, Miguel Pereira procura criar um momento festivo e de cumplicidade que combine com o espírito do festival.

MC Carol

2 de junho, Prado

Foto: Fernando Schlaepfer

O funk da brasileira MC Carol, também conhecida como Carol Bandida ou Carol de Niterói, é irreverente e interventivo. A sua música aborda temas sociais, políticos e o quotidiano das favelas, de uma forma descomplexada e bem humorada. Considerada um dos nomes maiores do baile funk brasileiro, Carol é também reconhecida como ativista pelas causas feministas e da luta contra a homofobia e o racismo. “Minha vó tá maluca” ou “Não foi Cabral” são temas onde questiona o modo como vemos a colonização e as raízes do Brasil que em 2012 a trouxeram para a ribalta. Entre os seus colaboradores está o coletivo Heavy Baile criado pelo reputado produtor Justi (com trabalhos realizados com M.I.A. e Emicida), que uniu as batidas do funk com o trap para a produção do primeiro álbum de Carol, Bandida. A artista está a agora a trabalhar no seu novo disco.

A Estranha Viagem do Sr. Tonet

1 e 2 de junho, Bosque das Faias

O Sr. Tonet é uma personagem fascinante, cujas aventuras o coletivo Tombs Creatius decidiu partilhar com os mais novos. Com esse objetivo em mente, a companhia catalã construiu dez jogos distribuídos em dez caixas, sendo que em casa uma  é apresentada uma das muitas histórias do Sr. Tonet. Desta forma, os mais pequenos vão poder conhecer um mundo de sons, luzes e movimentos, utilizando materiais como madeiras, móveis antigos e diferentes utensílios descobertos, recolhidos e reciclados. A Tombs Creatius é uma companhia composta por autênticos artesãos de experiências, que promovem desafios criativos e muita diversão junto do público infantil.