Apesar de conquista da Supertaça e do Campeonato, o PSG voltou a ter uma época aquém das expetativas e, na antecâmara da reabertura de mercado, fala-se com cada vez maior insistência na possibilidade de pelo menos uma das principais estrelas do ataque dos franceses poder sair. Neymar ou Mbappé (ou no limite os dois, embora o clube tenha feito um comunicado a garantir a permanência do internacional gaulês), ninguém sabe ao certo, mas prevê-se um verão quente no Parque dos Príncipes a nível de entradas e saídas. Agora, devido a um caso paralelo, tudo aponta para que se torne ainda mais imprevisível.

Nasser Al-Khelaïfi, presidente do clube via Qatar Sports Investments que detém o PSG, foi acusado de corrupção ativa num processo em torno da atribuição do Campeonato do Mundo de atletismo de 2017, que acabou por ser realizar em Londres e não em Doha (que receberá a edição deste ano), de acordo com informações avançadas pela agência France Press. O Le Parisien acrescenta mais alguns pormenores num processo que pode ainda não estar fechado.

Al-Khelaïfi tinha prestado declarações em março sobre o caso e voltou a ser chamado na semana passada, não se apresentando conforme solicitado por se encontrar na final da Taça do Emir do Qatar, ganha pelo Al-Duhail do português Rui Faria contra outro técnico nacional, Jesualdo Ferreira, que lidera o Al-Sadd (num jogo que marcou também a despedida de Xavi dos relvados). De acordo com a acusação formulada pelo juiz Renad van Ruymbeke, a empresa Oryx QSI, que Al-Khelaïfi detém com o irmão, é suspeita de ter feito duas transferências irregulares em 2011 no valor total de 3,1 milhões de euros para a Papa Massata Diack, que pertence ao filho do antigo líder da Federação Internacional de Atletismo, Lamine Diack.

Essas transferências, a 13 de outubro e 7 de novembro, apenas quatro dias antes da votação que iria atribuir a organização do Campeonato do Mundo de atletismo de 2017, terão permitido que Doha não ganhasse nesse ano em questão (a escolha recaiu em Londres) mas sim na edição seguinte, de 2019. Aí, a candidatura do Qatar teve mais três votos do que Eugene (Estados Unidos).

“Todos os pagamentos da empresa estão devidamente explicados e não foi validado qualquer pagamento de qualquer natureza para fins ilegais. Nasser Al-Khelaïfi nem era acionista nem dirigente da sociedade em 2011, não foi interveniente nem direto nem indireto na candidatura de Doha”, comentou, citado pelo Le Monde, o advogado do presidente do PSG.

Esta não é a primeira ocasião em que Nasser Al-Khelaïfi enfrenta problemas com a justiça depois de, em outubro de 2017, ter sido acusado de subornar, enquanto principal responsável do beIN Media Group (empresa de comunicação do Qatar), Jérôme Valcke, antigo secretário-geral da FIFA, para garantir os direitos televisivos dos Campeonatos do Mundo de 2026 e 2030. Em paralelo, e depois de uma temporada onde o PSG falhou o grande objetivo de chegar longe na Liga dos Campeões entre vários problemas internos, a sua própria posição enquanto líder do clube chegou a ser colocada em causa.