Também houve quatro golos, também houve prolongamento, também houve uma reviravolta inesperada ao cair do pano, também houve grandes penalidades. As últimas duas Taças de Portugal ganhas pelo Sporting no Jamor tiveram como ponto comum Sérgio Conceição que, depois de ter visto o seu Sp. Braga deixar fugir um título que parecia garantido aos 80 minutos em 2015 (2-0 com mais um jogador), perdeu também com o FC Porto mais uma final com os leões, à semelhança do que tinha acontecido na Taça da Liga em Braga, ou nas meias-finais da Taça da Liga e da Taça de Portugal, na última época.

Dost, o senhor da justiça divina que se entregou ao destino – e ganhou (a crónica do Sporting-FC Porto)

No final, ainda antes de ter recusado cumprimentar o presidente verde e branco, Frederico Varandas, naquele que se transformou no principal caso do jogo extra quatro linhas, o técnico andou pelo relvado quase de lágrimas nos olhos, agradecendo ainda aos adeptos enquanto cumprimentava os jogadores. Do campo para a conferência de imprensa, onde respondeu apenas a quatro perguntas, os atos passaram às palavras e Sérgio Conceição demonstrou toda essa frustração pelo resultado.

“Não foi por perder nos penáltis, foi por perder a Taça. Fizemos mais do que suficiente durante os 90 minutos para nem precisar de irmos para o prolongamento. Depois de 25 minutos equilibrados, fomos melhores, marcámos e, em cima do intervalo, num lance a acabar onde a bola ia para fora e há um desvio de um jogador nosso, sofremos o empate. Ainda assim, a equipa mostrou sempre alma, crença e uma vontade enorme de ganhar. A segunda parte foi completamente controlada, criámos oportunidades, tivemos duas bolas no poste e até conseguimos chances com facilidade. Mais uma vez houve essa atitude depois do 2-1, de ir à procura de acabar a época como merecíamos num ambiente difícil com jogadores no chão e perdas de tempo, fizemos o golo e depois vieram os penáltis. Foi muito cruel e injusto”, salientou numa primeira análise.

Passando ao lado do tema Frederico Varandas, e do que terá dito ao número 1 do Sporting (“Explicar? Não, foi sobre futebol”, disse apenas), Sérgio Conceição assumiu que “há várias ilações a retirar da época”: “Agora não é o momento mas há, agora é para falar de um jogo onde a injustiça esteve no seu ponto máximo porque merecíamos vencer”.

Sérgio Conceição não quis cumprimentar Frederico Varandas na tribuna presidencial do Jamor

“É um momento difícil para nós, que sentimos muito. Não foi por ler notícias quase diárias que os jogadores saíam e iam embora que deixou de haver uma união muito grande. Hoje demonstraram mais uma vez isso, com alma, sempre comprometidos com o jogo. Ver a minha família, não de sangue, no relvado e saber que mereciam a vitória tal como a família portista, pela paixão que mete em todos os jogos… Não tenho vergonha de deitar uma lágrima. Sou homem, sinto, sofro, sou um apaixonado pela vida. Este jogo teve a injustiça e a crueldade no seu ponto máximo”, concluiu antes de abandonar a sala de imprensa.