A secretária de Estado do Emprego de Espanha, Yolanda Valdeolivas, pediu ao Banco de Espanha (o regulador do setor financeiro) para “pedir desculpas” pelos os “maus presságios” lançados pela instituição quanto às consequências do aumento do salário mínimo para os 900 euros, em janeiro. A governante considera que as previsões “não correspondem à realidade”.

Em causa estão as recentes estimativas do Banco de Espanha, segundo as quais o aumento do salário mínimo pode levar à perda de 125 mil postos de trabalho, ou seja, uma redução de 0,8% (face aos cerca de 16 milhões de trabalhadores a tempo inteiro no país).

Num relatório referente a 2018, divulgado na semana passada, a instituição considerou, mesmo, “prematuro” dizer que o aumento do salário mínimo em 22,3% (dos 735,9 euros de 2018 para os 900 euros em 2019) não estava a ter um impacto negativo no emprego do país.

Segundo o El País, Yolanda Valdeolivas pediu à instituição para “reconhecer o erro”, que, avança, pode causar alarme no mercado de trabalho, levando as empresas a ponderar não contratar mais trabalhadores.

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“Os maus presságios aos quais o Banco de Espanha e o seu governador nos habituaram não correspondem à realidade e, lamentavelmente, produzem alarme”, criticou Valdeolivas, insistindo que “o mercado de trabalho é muito sensível”. Valdeolivas colocou, ainda, a causa o rigor dos dados avançados pelo regulador, acusando a instituição de causar um “alarme inconsistente”.

Recorde-se que no final do ano passado, o governo de Pedro Sanchéz anunciou a subida do salário mínimo para 900 euros no início deste ano, o maior aumento desde 1977. A medida beneficiou cerca de 2,5 milhões de trabalhadores.