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São Tomé e Príncipe

“Falta consenso” entre dirigentes em São Tomé e Príncipe

A antiga primeira-ministra de São Tomé e Príncipe disse que "não se pode dizer que haja instabilidade política, mas falta consenso" e alertou para a necessidade de consensos para relançar a economia.

Para levar adiante esses desafios "é necessário que de facto se encontre consenso para se relançar a economia", defendeu a antiga governante

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  • Agência Lusa

A antiga primeira-ministra de São Tomé e Príncipe Maria das Neves advertiu que “falta consenso” entre os dirigentes porque há “interesses políticos que não convergem”, alertando para a necessidade de entendimentos para relançar a economia.

“Neste momento, não se pode dizer que haja instabilidade política, mas falta consenso” entre os dirigentes, afirmou em declarações à Lusa Maria das Neves, antiga primeira-ministra de São Tomé e Príncipe, que foi várias vezes ministra em governos liderados pelo seu partido, o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata (MLSTP), atualmente no poder.

A antiga governante considerou que é “tudo muito relativo”.

Para haver estabilidade, defendeu, “é necessário que haja diálogo e haja consenso ao nível da classe política dirigente”, e isso, na sua opinião, ainda não existe.

“Sem um diálogo entre a classe política dirigente, sem de facto se reconhecer que a paz é o elemento essencial para promover o desenvolvimento, tudo estará comprometido”, acrescentou.

Para a atual consultora do Banco Central são-tomense, no seu país “há uma situação relativamente estável depois das eleições”.

São Tomé e Príncipe “decidiu seguir o exemplo de Portugal para constituir a sua ‘geringonça’, há cinco meses” e “ainda é muito pouco tempo para se poder fazer um balanço e chegar a algumas conclusões”.

Porém, alertou, o Governo liderado por Jorge Bom Jesus está ainda “a braços com a mobilização de recursos para poder implementar o seu Orçamento Geral do Estado, que já foi aprovado”.

“Falta a mobilização junto dos parceiros para que comece a haver o ‘take off’ que estamos todos à espera que aconteça, a curto prazo, para que se possa relançar a economia”, acrescentou.

“O país precisa de criar condições para receber turistas. O país tem pela frente grandes desafios, desde logo o próprio desenvolvimento. E quer apostar em ser uma plataforma de serviços, como forma de encontrar um rumo para o seu desenvolvimento”, indicou.

Para levar adiante esses desafios “é necessário que de facto se encontre consenso para se relançar a economia”, defendeu a antiga governante.

Cerca de 90% dos recursos que alimentam o Orçamento do Estado do país provêm de ajuda externa, em forma de crédito ou de donativos, o que demonstra “a fragilidade que tem a economia são-tomense”, referiu.

Perante isto, “é necessário encontrar-se uma base de sustentabilidade para a fazer crescer”, considerou, acrescentando: “E para os grandes desafios do país é necessário que haja consensos”.

“As grandes divergências têm por base os grandes interesses políticos em jogo”, afirmou, admitindo que o petróleo “pode ser um dos dossiês” na base das divergências.

Isto, apesar de o petróleo “ainda não estar a jorrar” e de nem se saber quando poderá estar, até porque, referiu, já se fixaram “tantos prazos para se começar a produzir o petróleo e até agora ainda não se vê a luz ao fundo do túnel”.

O país, disse, “não tem condições para produzir petróleo” e “depende muito dos parceiros” também para levar por diante esse processo.

Maria das Neves recordou que foram lançados vários concursos públicos, e houve empresas que começaram a fazer a prospeção, mas os custos eram tão elevados que acabaram por desistir.

“Tudo indica que há petróleo, mas está em águas ultra profundas, o que exigiria equipamentos muito mais sofisticados, com custos acrescidos, e este é o problema”, afirmou.

“Já se falou tanto de petróleo, que eu sou como São Tomé, prefiro ver para crer. (…) Já em tempos eu dizia que o nosso petróleo pode ser o nosso céu, o nosso inferno ou o nosso purgatório. Tudo depende da forma como as autoridades lidarem com este processo”, considerou.

O Presidente da República de São Tomé e Príncipe, Evaristo Carvalho, disse, na semana passada, que irá convocar em breve o Conselho de Estado, pela primeira vez no seu mandato, e afirmou fazer “um esforço permanente em busca do entendimento”.

“Tenho feito todo um esforço dentro das minhas faculdades, atribuições, para levar a água a bom porto, um esforço permanente em busca do entendimento, entre nós, os responsáveis”, disse o chefe de Estado são-tomense, em entrevista à Lusa, questionado sobre a atual relação entre a Presidência da República e o Governo.

No dia 03 de dezembro de 2018, o Presidente de São Tomé e Príncipe, Evaristo Carvalho, deu posse ao primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, e aos membros do XVII Governo Constitucional.

A ADI venceu as eleições com maioria simples – 25 dos 55 deputados da Assembleia Nacional – e reclamou o direito constitucional de formar Governo.

O MLSTP-PSD foi o segundo partido mais votado nas últimas eleições, elegendo 23 deputados, e assinou com a coligação PCD-UDD-MDFM, que tem cinco assentos parlamentares, um acordo de incidência parlamentar, reclamando terem uma maioria absoluta (28 deputados), que garantia a sustentabilidade parlamentar necessária para formar um Governo composto pelas duas forças.

Nestas legislativas, o Movimento Independente de Caué elegeu também dois deputados.

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