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Madonna

Madonna: “Não vou deixar Lisboa”

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Em entrevista à Visão, a cantora diz que a TAP é o seu lar e que anda sempre em viagem. Para já, não deixará Portugal. "Madame X é um reflexo do meu tempo em Lisboa. E eu continuo a viver lá", diz.

Getty Images

Dizer que Madonna viveu e vive em Lisboa é estar parcialmente certo: a cantora norte-americana está permanentemente em trânsito, tendo adicionado a nova morada na capital portuguesa a estadias regulares em Londres e Estados Unidos da América, por exemplo. Porém, o mediatismo em torno da sua vida em Portugal tem sido grande e até tem dado azo a algumas polémicas, como os lugares de estacionamento a que teve direito, a tentativa de filmar um teledisco com um cavalo no interior de um palácio e a declaração de que Lisboa é uma cidade “medieval” e algo “fechada”.

A última declaração sobre Lisboa tinha sido feita por Madonna em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, onde opunha alguma solidão que sentiu na capital portuguesa à inspiração artística que resultou do convívio com artistas nacionais e lusófonos em Lisboa. Esse convívio tê-la-á alegadamente influenciado na composição do seu novo disco, Madame X, que chega às lojas de discos e plataformas de streaming esta sexta-feira, 14 de junho. Agora, Madonna voltou a falar de Lisboa. Em declarações à revista Visão, numa entrevista conjunta com jornalistas internacionais em Londres, a cantora garantiu que não planeia abandonar Portugal — pelo menos em definitivo — tão cedo:

Não vou deixar Lisboa, o meu filho ainda joga futebol no Benfica, tenho lá uma casa, e ando para trás e para a frente. Vivo na Tap Air Portugal, é o meu lar”, referiu.

A newsmagazine nacional começou por revelar um primeiro teaser da entrevista, em que Madonna fala da “sua vida em Lisboa”, da “música” e das “causas que a movem”, garantindo sentir-se “inspirada por esta melancolia e sentimento da guitarra portuguesa e da morna”. Começando por agradecer em bom português — “obrigada” — à jornalista lusa, a cantora norte-americana começa por admitir que o novo álbum não é só uma homenagem ao fado e às influências da sua vida em Portugal, mas também “uma homenagem às mornas [cabo-verdianas]”. “Há ainda outras influências musicais por eu estar a viver em Portugal, portanto, obviamente é o lugar onde o meu disco nasceu, há imensas influências portuguesas”, diz.

“Espero que o meu português seja bom”, atira a dada altura, ao que a jornalista da Visão (única portuguesa na sala) responde que sim, “muito bom”. O “professor”, esclarece Madonna, foi o cantor Dino d’Santiago, cabo-verdiano, personalidade que destaca várias vezes ao longo da entrevista embora o músico não tenha nenhuma colaboração direta no álbum: “Ele apresentou-me a imensos músicos maravilhosos, incluindo as Batukadeiras. O Dino foi fundamental, ajudou-me muito a criar este álbum. Madame X é um reflexo do meu tempo em Lisboa. E eu continuo a viver em Portugal, ainda há três dias estive lá…”.

Questionada sobre se a língua inglesa deixou de ter o monopólio da língua cantada, já que o novo álbum tem vários idiomas, Madonna foi taxativa: “completamente”. “Adoro a ideia de world music e detesto compartimentar tudo, isso inclui a música. Adoro ouvir rádio em Nova Iorque, onde todos estão a cantar em espanhol, adoro conduzir por Lisboa e ouvir música de todo o lado: samba, reggaeton, dance hall… é incrível”, diz. E não é difícil compor noutras línguas? “Eu gosto de desafios”, limita-se a dizer, depois de já ter explicado como o músico cabo-verdiano Dino d’Santiago funcionou muitas vezes como intermediário para a cantora comunicar com outros músicos com quem colaborou, nomeadamente com as Batukeiras, no tema “Batuka”. Como aquele grupo de mulheres cabo-verdianas não falava inglês, Madonna lembra como não tinha forma de “comunicar com elas” a não ser através da música, e aí, Dino foi fundamental.

Perante a ideia de que Madame X é um álbum político, com “muita revolta”, Madonna não contraria. “Estou assustada, sinto-me perturbada com imensas coisas que estão a acontecer no mundo, mas estou esperançosa de que o futuro guarda muitas possibilidades. E espero ter sido capaz de canaliza a minha revolta e a minha raiva para criar algo alegre e para inspirar as pessoas a agir”, afirma. “É isso que devemos fazer com a nossa revolta, porque só com ela não vamos mudar o mundo”, aconselha ainda.

De resto, Lisboa ouve-se no álbum e, desta vez, Madonna não criticou a cidade onde vive metade do tempo. Aliás, a primeira canção composta para Madame X, Killers, teve origem numa guitarra portuguesa. “Comecei com a guitarra portuguesa e também com a guitarra da morna, que ouvi numa living room session em Lisboa. O disco foi construído à volta desse som em Killers, a primeira canção escrita para o álbum”, conta, explicando que essa canção capta a “autenticidade da música que andava a ouvir sempre que saía, quando ia ao Tejo Bar…”. “Atira-se uma pedra água e as ondulações formam-se: o som daquela guitarra foi a primeira pedra”, diz. Ou seja, conta, tudo começou com um sample de uma guitarra portuguesa, que depois Madonna enviou para o produtor e compositor francês com quem trabalha, Mirwais, e daí saiu um álbum que a própria define como um álbum “político”.

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