“O nosso planeta está a afundar-se” é o título. A imagem é de António Guterres, secretário-geral da ONU, vestido de fato e gravata, com ar carregado e água pelos joelhos. Eis a mais recente capa da revista norte-americana Time, dedicada ao tema do combate contra as alterações climáticas — “a batalha das nossas vidas”, como diz Guterres àquela revista, que tem servido de bandeira ao mandato do ex-primeiro-ministro português na ONU.

Na capa lê-se ainda: “Oceanos a subir, residentes em fuga, aldeias a desaparecer. O nosso planeta está a afundar-se”. O tom é de alerta e é dramático, como o é a mensagem. António Guterres foi fotografado na costa de Tuvalu, na Polinésia, um dos países considerados mais vulneráveis à subida da água dos mares como consequência das alterações climáticas.

“As alterações climáticas são uma área onde as Nações Unidas têm obrigação de assumir liderança global”, diz à Time, apelando a que “todos se juntem” porque “é absolutamente essencial para o planeta reverter a situação atual”. E não, não se trata de “diplomacia”. É preciso ação.

Em maio deste ano, Guterres fez um périplo por vários países do Pacífico Sul para chamar a atenção para o problema e para a necessidade de intensificar esforços no sentido da redução das emissões de gases com efeito de estufa.

Esta é, de resto, uma das principais bandeiras do seu mandato, com Guterres a alertar para o facto de estarmos a ficar sem tempo para evitar as consequências desastrosas das alterações climáticas. Para setembro está marcada uma cimeira, na sede da ONU em Nova Iorque, onde o secretário-geral da ONU vai procurar instar os líderes mundiais a acelerar o processo antes de terminar o prazo para os signatários do Acordo de Paris cumprirem as metas traçadas.

O tempo está a esgotar-se e o “planeta a afundar”. Foi esta a mensagem que levou um português à capa da famosa revista Time.