O comandante Mariano Nhungue Chissingue, da guerrilha da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), negou esta quarta-feira ser um desertor, como anunciado pelo principal partido da oposição em Moçambique, e insistiu no pedido de demissão do presidente, Ossufo Momade.

“Eu não saí da Renamo (…) Porque não me pegam? Porque o objetivo é o mesmo. Nenhum soldado da Renamo me vai balear. Estamos juntos”, referiu numa conferência de imprensa na zona de Piro, nas encostas da serra da Gorongosa, na estrada entre a vila da Gorongosa e Casa Banana.

“Ele [Momade] não vai chegar ao dia 10 [de julho]”, prazo dado por Chissingue para o líder da Renamo se demitir, reafirmou hoje, ao apresentar-se juntamente com alguns guerrilheiros, tal como havia feito quando há uma semana pediu o afastamento do líder do principal partido opositor moçambicano. “Estes comandantes é que vão eleger” o novo líder do partido, disse.

“Não queremos mais a ala política”, disse, acrescentando: “Não tenho diálogo com Ossufo (…) O que ele quer mais connosco?”, questionou ainda Chissingue.

Chissingue foi um dos estrategas da Renamo que dirigiu a resposta armada às emboscadas de que Afonso Dhlakama, antigo líder do partido, foi alvo, em Manica, antes do cessar-fogo em 2016. “Eu não quero guerra, não temos nada com o Governo, estamos em trégua”, disse esta quarta-feira, classificando que se passa como “um problema interno” da Renamo.

E com o figurino atual diz que “não há acantonamento, não há desmobilização e não há entrega das armas”, numa posição que diz ser comum a “todos os guerrilheiros da Renamo”. “Decidimos: não queremos ser vendidos”, disse aos jornalistas, ao negar as propostas de desmobilização e reintegração negociadas por Ossufo Momade com o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, com vista a um acordo de paz que ambos querem assinar até início de agosto.

Chissingue acusa Momade de entregar nomes de familiares e amigos sem ligação à Renamo para ocuparem cargos de chefia nas Forças de Defesa e Segurança moçambicanas em detrimento de oficiais que estão nas bases da guerrilha.

“Queremos uma pessoa segura para ser nosso presidente” e “negociar com o Governo a desmobilização e entrega das armas”, porque o “destroçar dos quadros” como previsto pode criar “uma guerra”, que pretende evitar, referiu.

O comandante considera Ossufo Momade um “traidor” que tem destruído as estruturas do partido e que terá ordenado a morte de três brigadeiros – desafiando a Renamo a indicar onde estão. “As famílias querem falar com eles e nós também”, referiu.

Questionado sobre as declarações de hoje de Chissingue, José Manteigas voltou a referir aos jornalistas que o comandante da guerrilha é um desertor, tal como os homens que o acompanham.

Classificou ainda como uma “grosseira mentira” que algum oficial tenha sido assassinado. “Todos vão perceber que isto não passa de uma calúnia e um atentado à paz, à reconciliação nacional que todos os moçambicanos estão a tentar reconquistar”, concluiu.