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Operação Marquês

Ouvido durante oito horas, Zeinal Bava diz que não era “visita de casa” de Ricardo Salgado

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Zeinal Bava foi ouvido durante oito horas no no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, e admitiu conhecer o ex-presidente do BES, com quem teve reuniões.

ANTÓNIO JOSÉ/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O antigo presidente da PT Zeinal Bava, um dos arguidos na Operação Marquês, esteve esta quarta-feira no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, onde foi ouvido durante cerca de oito horas, no âmbito da fase de instrução do processo.

No final da audição de Zeinal Bava, fonte ligada ao processo disse que o antigo responsável da PT admitiu conhecer Ricardo Salgado, com quem teve reuniões, mas acrescenta que não era “visita de casa” do ex-presidente do BES — o seu alegado corruptor, de acordo com o Ministério Público.

O ex-presidente executivo da PT foi ouvido por decisão do juiz Ivo Rosa, o titular dos autos no Tribunal Central de Instrução Criminal, e está acusado dos crimes de corrupção passiva, branqueamento de capitais, fraude fiscal e falsificação de documento.

No centro da sua inquirição estiveram os 25,2 milhões de euros que recebeu entre 2007 e 2011 do Grupo Espírito Santo (GES) através de uma conta bancária em Singapura. E que acabou por devolver quase na totalidade, mas só cinco anos depois.

Segundo o Público,  Zeinal Bava afirmou que queria ser um acionista de referência da PT, uma pretensão que transmitiu ao banqueiro Ricardo Salgado, que se disponibilizou, segundo contou, para lhe emprestar o dinheiro.

O gestor de 53 anos confirmou, por isso, os 6,7 milhões de euros recebidos em dezembro de 2007 na tal conta em Singapura. E que só três anos depois, quando recebeu uma nova tranche de 8,5 milhões de euros, desta vez numa conta na Suíça, é que sentiu necessidade de passar o contrato verbal a escrito.

Para o Ministério Público, este contrato é um documento fictício, com data de 20 de dezembro de 2011. O ex-presidente da Comissão Executiva da PT não conseguiu clarificar bem porque é que no contrato de 2010 não ficou escrito que já tinha havido uma transferência inicial de 6,7 milhões. Nem porque é que recebeu uma segunda tranche, os tais 8,5 milhões, quando não tinha sequer aplicado a verba inicial. O mesmo aconteceu com a terceira transferência, de dez milhões de euros, em Dezembro de 2011.

Bava admitiu que nunca comprou as ações da PT e foi por isso que em 2016 devolveu à massa falida da Espírito Santo Internacional 18,5 milhões de euros. Não entregou, contudo, a primeira transferência de 6,7 milhões, que acabou por ser arrestada pelo Ministério Público no âmbito da Operação Marquês.

O gestor voltou a negar que os 25,2 milhões eram “luvas” pagas por Ricardo Salgado para que beneficiasse os interesses do Grupo Espírito Santo.

(Artigo atualizado às 09h32 de quinta-feira)

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