Marcado por momentos de discussão mais acalorada, o primeiro de dois debates entre candidatos democratas às eleições presidenciais foi ruidoso, segundo a CNN, mas o New York Times nota que não trouxe nenhum grande momento. O Washington Post destaca as divisões entre os pré-candidatos sobre saúde e política económica e sublinha que as propostas mostram uma maior inclinação à esquerda dos democratas. O nome de Trump mal apareceu no debate, mas as políticas da atual administração americana estiveram sob fogo cerrado.

Antes de começar, o debate já fazia história, porque nunca tantas mulheres tinham subido ao palco para participarem em debates presidenciais: as senadoras Elizabeth Warren, do Massachusetts, e Amy Klobuchar, do Minnesota, bem como Tulsi Gabbard, membro da Câmara dos Representantes pelo Hawai. Mas não fica por aqui. Neste ciclo de dois debates — em que participam no total 20 candidatos — há outras três mulheres esta quinta-feira. Ao longo de toda a história americana, em mais de 243 anos, apenas cinco mulheres tinham participado num debate presidencial, de acordo com a NBC.

Participaram ainda esta quarta-feira Julian Castro (antigo secretário da Habitação e do Desenvolvimento Urbano, o “ministro” mais jovem da administração de Barack Obama), Bill de Blasio (mayor de Nova Iorque), Cory Booker (senador por New Jersey), Tim Ryan (membro da Câmara dos  Representantes pelo Ohio), Jay Inslee (governador de Washington), Beto O’Rourke e John Delaney (antigos congressistas).

Em destaque no debate esteve a Saúde. Apesar de terem pontos em comum, ficaram visíveis divisões sobre se devem ou não ser abolidos os seguros privados e se o Medicare (programa de seguros de saúde criado na década de 60, que atualmente abrange 60 milhões de pessoas) deve ser ou não alargado a todos os americanos.

O momento mais acalorado do debate teve lugar, no entanto, quando foi introduzido o tema da imigração e do muro na fronteira a sul, com Beto O’Rourke O’Rourke e Julian Castro (único candidato hispânico) dos dois lados da barricada. Castro quer descriminalizar as passagens ilegais, O’Rourke discordou.

O debate começou por centrar-se na economia, que teve um crescimento anual de 3,1% no primeiro trimestre, acompanhada de uma taxa de desemprego de 3,6% — níveis nunca vistos em quase 50 anos. Os candidatos visaram a administração de Trump, referindo que o crescimento deveria ser mais inclusivo, com melhor distribuição da riqueza.

Na política externa, o foco esteve no Irão. O senador Cory Booker esteve isolado, tendo sido o único entre os 10 pré-candidatos a rejeitar o acordo sobre o nuclear, assinado em 2015. Um acordo em que o Irão aceitou limitar o enriquecimento de urânio e receber inspeções das Nações Unidas, em troca do levantamento de sanções.

O debate desta quarta-feira à noite envolveu 10 candidatos, mas haverá outros 10 esta noite. Para terem direito a subir ao palco, bastou terem 1% em sondagens nacionais ou terem recebido mais de 65 mil dólares em doações individuais, segundo o Guardian. Os 20 democratas foram misturados aleatoriamente, mas à condição de que os dois debates tivessem alguns dos candidatos mais populares. Uma estratégia diferente daquela que foi adotada pelos republicanos há três anos, em que os candidatos com menos popularidade fizeram um debate à parte, antes do confronto entre os principais candidatos.