A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) classificou o exame nacional da disciplina de uma prova “sem surpresas, muito acessível, que não avalia adequadamente o que é prescrito pelo currículo do 3.º ciclo” e considerou que “confirma a tendência observada para uma simplificação das diferentes avaliações externas“.

“A estrutura da prova de hoje [quinta-feira] é muito semelhante à do ano passado, observando-se, contudo, uma diminuição do grau de dificuldade geral”, frisa a SPM em comunicada divulgado esta quinta-feira.

A SPM voltou a criticar a opção educativa pelo programa de flexibilidade curricular, frisando a necessidade de se imporem “medidas urgentes, que terão de passar por um diagnóstico sério do trabalho, que foi efetivamente realizado com estes alunos no 7.º e no 8.º ano” para que “todas as deficiências que não deixarão de transparecer” sejam devidamente corrigidas. Considera que, caso isto não aconteça, esta prova final de 3.º ciclo “poderá vir a ser a última a obedecer a uma matriz minimamente clara e objetiva”.

Para a organização científica, esta opção representa o comprometimento da prova, “como tudo aponta que irá acontecer — terá efeitos trágicos no prosseguimento deste caminho”.

A Sociedade Portuguesa de Matemática frisou ainda que gostaria de relembrar “o impacto extremamente positivo que estes exames tiveram ao longo de 15 anos na promoção de um ensino de qualidade em Portugal.”

Sobre o conteúdo da prova, a SPM critica o equilíbrio dos itens, considerando que algumas das matérias são subavaliadas, “apenas três dizem respeito ao domínio Números e Operações (domínio que assim fica algo subavaliado).”

Aponta ainda que o exigido nesta prova é “o mínimo que um aluno em final do 3.º ciclo deveria saber fazer” o que, a seu parecer, poderá implicar a uma diminuição de exigência.

Realizou-se a prova final de Matemática do 3º ciclo, nesta quinta-feira, feita por cerca de 90.000 alunos do 9.º ano. E o Instituto de Avaliação Educativa (Iave) já publicou os critérios de classificação da prova.