A entrada do MotoGP no calendário europeu depois do arranque no Qatar, na Argentina e nos Estados Unidos não foi o melhor para Miguel Oliveira, que ficou fora dos pontos em Espanha e em Itália tendo pelo meio um 15.º lugar em França. No entanto, a fiabilidade do português que se continua a afirmar como um dos pilotos mais “certinhos” do paddock permitiu que melhorasse os resultados nas duas últimas corridas, somando quatro pontos na Catalunha e mais três na Holanda, no fim de semana. Agora, o desafio seguinte era na Alemanha. E a irregularidade que marcou a antecâmara conheceu o pior ponto em prova.

Depois de ter começado os treinos livres com tempos acima do francês Johann Zarco, um dos pilotos oficiais da KTM, Oliveira acabou por ter uma qualificação frustrante onde não foi além da 20.º posição. “Foi uma qualificação dececionante. Fizemos um sábado bom, uns treinos livres 3 muito bons, uns treinos livres 4 fantásticos com um ritmo de corrida muito bom mas não o conseguimos manter isso na qualificação. Estou dececionado pelo facto de três pilotos terem melhorado os seus tempos de volta diretamente atrás de mim”, assumiu o português, prosseguindo: “Não recebi qualquer aviso de que estava a ser seguido. É um erro que custa caro e que nos coloca muito lá atrás na grelha tendo o potencial para estar muito mais à frente”.

Após um bom arranque na saída, com a parte tática a jogar muito também pelas dificuldades que este circuito de Sachsenring consegue criar, o piloto da KTM conseguiu saltar quatro posições ainda na primeira volta mas acabou por perder esse 16.º lugar após uma queda na curva 3 que acabou por condicionar o resto da corrida, onde estabilizou no 20.º posto depois das saídas de pista de Fabio Quartararo e Johann Zarco mas a cerca de 30 segundos de Karel Abraham. Com o passar das voltas, Miguel Oliveira conseguiu ainda tirar outro aproveitamento da moto, foi batendo os tempos pessoais que ia conseguindo fazer (quinto mais rápido da décima volta), aproximou-se de Pecco Bagnaia com uma saída de pista do italiano mas não mais teve uma palavra real a dizer em termos de subida de lugares, restando apenas fazer os melhores tempos possíveis e ver o que se passava no resto da corrida, que lhe permitiu ainda saltar para o 18.º lugar final aproveitando a queda de Espargaró.

O ritmo do português até ao final da corrida provou que, pela primeira vez nesta temporada de estreia no MotoGP, podia ter acabado nos pontos pela terceira prova consecutiva mas “salvou-se” ainda um registo fora do vulgar entre os 22 pilotos que estão nesta principal divisão do motociclismo: depois da queda no Grande Prémio de São Marino de Moto 2, em 2017, Miguel Oliveira concluiu todas as provas em que participou entre Moto 2 (resto de 2017 e 2018) e MotoGP (2019), num registo de 33 corridas consecutivas sempre a chegar ao fim que chegou a estar ameaçado depois da queda prematura nas voltas iniciais.

Lá na frente, Marc Márquez, que já tinha partido na frente da grelha, voltou a dominar por completo a corrida, confirmando mais uma vez a alcunha de “King of The Ring” após somar a décima vitória consecutiva neste Grande Prémio da Alemanha, num triunfo que ficou ainda mais facilitado depois da queda da Suzuki de Alex Rins a 11 voltas do fim quando estava com o mesmo ritmo do compatriota espanhol mas caiu após perder a frente da moto perante a visível frustração da equipa nas boxes. Desta forma, e com mais 25 pontos, o pentacampeão mundial da Honda aumentou a liderança quando nos aproximamos da primeira metade da temporada, até porque Andrea Dovizioso e Danilo Petrucci ficaram fora de um pódio que, além de Marc Márquez, teve ainda Maverick Viñales (Yamaha) e Cal Crutchlow (Honda). O Mundial vai agora parar durante um mês, voltando no primeiro fim de semana de agosto com o Grande Prémio da Rep. Checa (dia 4).