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Caixa Geral de Depósitos

Inquérito à Caixa. “Há conclusões que não podemos tirar baseadas nos factos apurados”, avisa Bloco

Gestão danosa? Responsabilização de gestores? Mariana Mortágua avisa PSD que há conclusões que não podem ser tiradas baseadas nos factos apurados pela comissão de inquérito à Caixa.

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O Bloco de Esquerda está disponível para aprovar todas as propostas de alteração ao relatório da comissão parlamentar de inquérito à gestão da Caixa Geral de Depósitos, desde que sejam “suportadas por factos”, afirmou Mariana Mortágua.

A deputada do Bloco de Esquerda não especificou quais eram seriam essas propostas factuais, mas respondia a perguntas sobre se o partido estaria disponível para aprovar as alterações apresentadas minutos antes pelo PSD e que apontam para a existência de indícios “de gestão danosa” na Caixa, concentrado nos anos de gestão liderada por Carlos Santos Ferreira durante o primeiro Governo de José Sócrates.

Mariana Mortágua destaca que um dos aspetos positivos do relatório elaborado pelo deputado do CDS, João Almeida, é o ser “muito equilibrado e factual, não tentando tirar conclusões que não podemos tirar baseados nos factos que foram apurados”.

E dá um exemplo. É um facto que as operações mais ruinosas se concentram no período do primeiro Governo de José Sócrates e quando Carlos Santos Ferreira estava à frente da Caixa. Mas também é um facto que ao mesmo tempo estavam administradores nomeados por outros partidos, como o CDS, (Celeste Cardona). E que disseram nesta comissão que nada fizerem. Também é um facto, acrescenta, que as más praticas na concessão de crédito existiam antes desse período, ainda que não na mesma dimensão.

Para a deputada do bloco ficou provado que houve reiteradas praticas de crédito na Caixa que foram erradas e reconhece que uma boa parte delas tem a ver com um momento da economia portuguesa, os tais anos entre 2005 e 2008, em que houve grandes incentivos a operações de maior risco na área do imobiliário e no crédito para a compra de ações. Essas práticas foram permitidas por um Banco de Portugal “negligente” e por uma tutela “que não quis saber” e que estava mais preocupada com os lucros e por uma administração, várias, que tomaram más decisões de crédito.

Mariana Mortágua deixou também um exemplo daquilo que qualifica de perceção, por oposição a facto. É estranho que a Caixa tenha dado créditos a acionistas do BCP quando havia uma guerra do  BCP, é estranho e que o Banco de Portugal não tenha identificado o problema e que os gestores da Caixa se tenham mudado para o BCP. “Mas não há factos que nos permitam afirmar que foi por causa dos créditos que a administração mudou. Não há.”

Sobre a conclusão defendida pelo PSD que aponta para a existência de gestão danosa, a deputada do Bloco não se opõe, para já, mas considera que tal implica estar disponível para considerar que a dita gestão danosa tem sido uma “prática reiterada” em toda a banca portuguesa.

Mariana Mortágua foi a única a referir o nome do devedor mais famoso da Caixa, Joe Berardo, para destacar que foi graças aos trabalhos da comissão que sabemos, mas defendeu que esse escrutínio não deve ficar pelo passado. “Não basta acertar contas com o passado, mas instituir medidas para o futuro”, recuperando uma proposta já feita pelo partido no passado no sentido de que os bancos devem divulgar todos os anos os grandes devedores em incumprimento e os grandes riscos a que estão expostos. Para que fique claro que os bancos “não podem fazer o que querem em regime de opacidade”.

As propostas dos partidos de alteração ao relatório final da comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos vão ser votadas esta quarta-feira.

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