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Moçambique: acordo de paz com a Renamo será assinado na quinta-feira

Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, anunciou na Assembleia da República que vai assinar na quinta-feira o acordo de paz para a cessação definitiva das hostilidades militares com o líder da Renamo.

JOAO RELVAS/EPA

Autor
  • Agência Lusa

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, anunciou nesta quarta-feira na Assembleia da República que vai assinar na quinta-feira o acordo de paz para a cessação definitiva das hostilidades militares com o líder da Renamo, Ossufo Momade, na serra da Gorongosa.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, congratulou-se nesta quarta-feira com o anúncio da assinatura do acordo entre o Estado e a Renamo em Moçambique, considerando tratar-se de “um passo enorme” para a paz e estabilidade.

“Este acordo significará um passo enorme para a paz e a estabilidade de Moçambique e um fator muito importante para o desenvolvimento económico e social, para o bem-estar e para a segurança das populações moçambicanas”, disse Santos Silva à agência Lusa.

O chefe da diplomacia portuguesa considerou ainda que a assinatura do acordo “constitui um marco muitíssimo decisivo” na vida de Moçambique e de toda região.

“Portanto, é decisivo também no que diz respeito a Portugal”, acrescentou, manifestando “enorme jubilo e satisfação” com a notícia.

“Fomos acompanhando o trabalho muito intenso, demorado, mas empenhado, conduzido ao mais alto nível. […] Um trabalho que teve um objetivo que agora foi cumprido […] de trazer a paz a Moçambique definitivamente, celebrando um acordo para a cessação definitiva das hostilidades militares que ainda restavam entre a Renamo e o Estado moçambicano”, acrescentou.

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, anunciou nesta quarta-feira na Assembleia da República que vai assinar na quinta-feira o acordo para a cessação definitiva das hostilidades militares com o líder da Renamo, Ossufo Momade, na serra da Gorongosa, centro do país.

Filipe Nyusi disse que o acordo de quinta-feira prevê o fim formal dos confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas e o braço armado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição.

O entendimento resulta do diálogo entre Filipe Nyusi e o falecido líder do principal partido da oposição Afonso Dhlakama e depois com o atual presidente da Renamo, Ossufo Momade.

O acordo de quinta-feira será o terceiro entre o Governo da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e a Renamo, depois da assinatura do Acordo Geral de Paz de Roma de 1992 e do acordo de cessação das hostilidades militares em 2014, na sequência de uma nova vaga de confrontos entre as duas partes.

Nesta terça-feira os guerrilheiros da Renamo, principal partido da oposição em Moçambique, que entregaram voluntariamente as armas no âmbito do processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR), manifestaram satisfação com a expetativa de regresso à vida civil.

O DDR, que resulta de entendimentos entre o governo moçambicano e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), arrancou na segunda-feira na serra da Gorongosa, província de Sofala, centro do país.

Abílio Tenisse, que tem a patente de capitão, entregou a AK-47 que o acompanhou ao longo de anos de guerrilha ao serviço da Renamo.

Cedeu a sua arma num centro de acantonamento na serra da Gorongosa e agora quer voltar à província natal, Zambézia, centro do país, para montar um negócio e ganhar o sustento para a família.

“Se tiver dinheiro, vou comprar uma ‘moagem’ para moer milho e ajudar as pessoas da minha zona, na Zambézia”, disse Abílio Tenisse ao grupo de jornalistas que acompanhou o arranque do DDR, em Sandjudjira.

Depois de ter combatido pela Renamo na guerra dos 16 anos que terminou em 1992 e reintegrado na guerrilha em 2012 para a onda de violência militar que se seguiu, Tenisse afirma estar farto de viver nas matas.

“Esperei muito por este tempo e apelo aos outros no sentido de se juntarem a nós para serem desmobilizados”, apelou.

Elias Sande, também com patente de capitão, deu voluntariamente a sua arma aos peritos militares internacionais que dirigem o DDR na Gorongosa e disse que pretende refazer a vida, que parou durante os anos dedicados à guerrilha.

“Uma das coisas que vou fazer é comprar ‘moagem’ a fim de obter alguma renda”, afirmou Sande, falando de um negócio muito popular no centro de Moçambique.

A farinha de milho moída em máquinas que funcionam a energia elétrica ou a gerador é um dos negócios mais prósperos no centro de Moçambique, devido à forte procura daquele produto para a cozedura de massa, muito consumida na região.

A única mulher que entregou a arma no primeiro dia do DDR, Elina Matavote, do chamado destacamento feminino da Renamo, não esconde a satisfação de se poder juntar à família no distrito de Nhamatanda, província de Sofala, após longos anos nas matas.

“Não sei quanto tempo fiquei nas matas, mas agora que tenho oportunidade de regressar a casa, quero aproveitar e conviver com a família”, disse.

Muitas guerrilheiras da Renamo, que estão nas matas, também querem regressar à vida civil, assinalou Matove.

O início do DDR foi simbolicamente marcado pela entrega voluntária de armas por quatro guerrilheiros da Renamo e do registo de outros 46 para posterior desarmamento.

O ato foi testemunhado pelo líder da Renamo, Ossufo Momade, membros do governo, peritos militares internacionais e jornalistas.

O DDR resulta das negociações de paz entre o governo e a Renamo visando pôr termo a ciclos de violência entre as partes e o estabelecimento de uma paz duradoura em Moçambique.

O entendimento entre o governo moçambicano e a liderança da Renamo prevê a integração de alguns guerrilheiros nas Forças de Defesa e Segurança (FDS).

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