Ainda que não tenha confirmado Pedro Pardal Henriques como um dos cabeça-de-lista do partido que fundou, Marinho e Pinto não poupou elogios à postura do advogado do Sindicato de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) que, defende, “seria um excelente candidato à Assembleia da República”.

“É uma hipótese [Pardal Henriques ser cabeça-de-lista], dependerá. Aqui não há centralismo democrático, não são as direções que decidem. Estamos num partido democrático, não confirmamos nem desmentimos nenhum nome que seja apresentado pela comunicação social sem as listas serem aprovadas, não faz sentido”, disse Marinho e Pinto esta manhã à Rádio Observador.

Segundo o presidente e fundador do Partido Democrático Republicano, a luta dos motoristas, pela qual Pedro Pardal Henriques deu a cara, é “um dos fenómenos mais importantes da democracia portuguesa, se não mesmo o mais importante, sobretudo após a fase de degenerescência da democracia”.

Na rubrica Direto ao Assunto, o fundador do PDR criticou a atuação do Governo durante a greve dos motoristas que, afirmou, “não diferiu muito da forma como as ditaduras tratam as lutas sindicais”.

A ditadura — e eu lembro-me —, mandava a polícia de choque carregar sobre os manifestantes, neste processo houve motoristas que trabalharam com armas apontadas. Houve um motorista que abrandou a marcha e apontaram-lhe metralhadoras”.

Segundo Marinho e Pinto, a luta dos motoristas serviu também para “pôr em causa uma das piores faces da democracia portuguesa”: o controlo dos sindicatos pelos partidos políticos. Uma luta que, diz, foi condicionada pelo Governo, que “acariciou as entidades patronais” ao invés de “as obrigar a negociar”.

Sobre as propostas do PDR às legislativas, Marinho e Pinto explicou a necessidade de se criar uma “segunda câmara”, onde pudessem estar por exemplo anteriores presidentes da república e presidentes da Assembleia da República, sendo uma parte eleita por voto direto e outra não. O ex-eurodeputado criticou ainda os “cinco partidos que funcionam como cartel” no Parlamento português: “não há verdadeira oposição em Portugal”.