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Pedro Santana Lopes

Santana Lopes diz que o país está a ficar “demasiadamente estatizado”

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O líder do Aliança diz que Portugal está demasiado dependente do Estado e defende que "a sociedade devia ser independente". "As coisas vão-se passando sem que as pessoas avaliem as consequências".

MELISSA VIEIRA/OBSERVADOR

O líder da Aliança, Pedro Santana Lopes, disse esta terça-feira em Viana do Castelo que o país está a ficar “demasiadamente estatizado”, apontando o exemplo da recente greve dos motoristas de matérias perigosas, em que o Estado foi mediador.

Às vezes isto está com uns ares um bocadinho, não quero chamar venezuelanos porque é ofensivo, mas demasiadamente estatizado. O país está a ficar cada vez mais dependente dos bons humores, das boas vontades do Estado. Quando o caminho devia ser o contrário. A sociedade devia ser independente”, defendeu o líder da Aliança.

Pedro Santana Lopes, que falava à agência Lusa no final de uma reunião com pescadores de Viana do Castelo, integrada numa série de oito semanas temáticas que está a realizar para recolher contributos para o programa eleitoral do partido, questionou: “Em todas as negociações sindicais, em setores sensíveis, o Estado vai ser mediador, vai desempenhar o papel que desempenhou com os motoristas, quando for na saúde, nos transportes?”

O Governo recebe esta terça-feira o Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) para a retoma de negociações com a Associação Nacional de Transportes Públicos Rodoviários (Antram). A reunião está marcada para as 16h no Ministério das Infraestruturas e Habitação, em Lisboa.

Para o líder do Aliança, “as coisas vão-se passando em Portugal sem que as pessoas avaliem todas as suas consequências e significados”. “Há coisas que, hoje em dia, se passam em Portugal, às vezes perante a indiferença geral, e o país vai andando. O que me preocupa é isso. O que nunca deveria acontecer passa a ser permitido e passa a ser considerado quase rotineiro”, reforçou.

Pedro Santana Lopes apontou como um dos “sinais” da “indiferença generalizada” o facto de o “Estado servir de mediador em negociações sindicais e querer substituir os representantes dos sindicatos”.

Não conheço o doutor Pardal Henriques [porta-voz do Sindicato de Motoristas de Matérias Perigosas] de lado nenhum. Nunca o tinha visto na vida, nem interessa se é pessoa com quem simpatizo, mas estou farto dos juízos, em Portugal. De dizerem que as pessoas têm cara disto ou daquilo. Depois o Estado vem defender a substituição das pessoas porque só assim é possível chegar a acordo”, especificou.

Sobre a reunião com os pescadores das 28 embarcações de pesca local de Viana do Castelo, diretamente afetados pela instalação de um parque eólico ao largo daquele concelho, Santana Lopes disse que os aqueles profissionais estão “satisfeitos” com a compensação acordada pelo impacto do projeto na sua atividade. Na segunda-feira, o presidente da Câmara de Viana do Castelo informou ter sido decidida uma compensação financeira de meio milhão de euros aquelas embarcações.

O socialista José Maria Costa, adiantou que daquele montante, 400 mil euros serão suportados pela Rede Elétrica Nacional (REN) e, os restantes 100 mil euros, pela EDP renováveis.

Inicialmente a EDP Renováveis disponibilizou uma verba de 200 mil euros para compensar as 28 embarcações, mas os pescadores não aceitaram aquele valor e chegaram a equacionar não participar, hoje, na procissão ao mar em honra da Senhora d’Agonia, protesto que, entretanto, ficou sem efeito.

Em causa está o Windfloat Atlantic (WFA), um projeto de uma central eólica ‘offshore’ (no mar), em Viana do Castelo, orçado em 125 milhões de euros, coordenado pela EDP, através da EDP Renováveis.

As 28 embarcações de pesca local serão diretamente afetadas pela interdição da pesca na envolvente (0,5 quilómetros de cada lado) do cabo submarino, com cerca de 17 quilómetros de extensão, que vai ligar o parque eólico flutuante à rede, instalada em Viana do Castelo.

Por se encontrar na capital do Alto Minho, o líder da Aliança apontou a resistência dos últimos moradores no prédio Coutinho, que visitou, como um exemplo a ter em conta, pela “sociedade portuguesa em geral de que há limites que não devem ser ultrapassados”.

“Quando se mudam fechaduras das casas, se proíbe acesso à alimentação. Mesmo os prisioneiros e os condenados à morte têm direito à alimentação”, concretizou, referindo que o processo de demolição do edifício de 13 andares, prevista desde 2000 ao abrigo do programa Polis “não correu bem desde início”.

No edifício Jardim, localmente conhecido por prédio Coutinho, restam sete moradores, cujo despejo esteve previsto para o dia 24 de junho e que continua a aguardar decisão judicial.

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