“Não foi uma decisão fácil. Não era uma coisa que eu queria, mas que precisava”, diz Alyssa Milano no seu podcast Alyssa Milano: Sorry Not Sorry. A atriz de 46 anos confessou que optou por fazer dois abortos em 1993, há mais de 25 anos.

“Eu sabia na altura que não estava preparada para ser mãe, então escolhi fazer um aborto. Eu escolhi. Foi uma escolha minha. E foi absolutamente a escolha certa para mim.” Os dois abortos aconteceram em 1993, com nove meses de distância um do outro, quando a atriz norte-americana estava na casa dos 20.

A confissão de Milano não vem ao acaso, ela que é uma voz ativa contra as leis anti-aborto que nos últimos tempos têm ganho força nos Estados Unidos da América. Quando no estado da Geórgia foi aprovada uma lei que proíbe o aborto a partir do momento em que se deteta o batimento cardíaco de um feto humano — por volta das seis semanas –, a atriz apelou a que as mulheres fizessem uma greve de sexo.

Na altura Milano escreveu na rede social Twitter a seguinte mensagem: “Os nossos direitos reprodutivos estão a ser apagados. Até que nós, mulheres, tenhamos controlo legal sobre os nossos próprios corpos, não podemos simplesmente arriscar a gravidez. Juntem-se a mim em não fazer sexo até que voltemos a ganhar a autonomia do nosso corpo. Estou a apelar a uma #SexStrike [Greve de Sexo]. Passem a mensagem”. Alyssa Milano é também um dos nomes mais sonantes atribuídos ao movimento #MeToo, que surgiu assim que o escândalo de assédio sexual em Hollywood protagonizado por Harvey Weinstein rebentou.

Atualmente mãe de dois filhos — Elizabeth de 4 anos e Milo de 7 –, a atriz revela que os abortos aconteceram numa altura em que tomava contracetivos e que vivia uma relação séria. “Estava apaixonada pela primeira vez, daquela maneira sem fôlego que só acontece quando somos novos. Foi [um amor] enorme, esmagador até. (…) Foi um momento alegre, entusiasmante e poderoso da minha vida.”

A decisão de fazer os dois abortos — a atriz explica que a notícia de ambas as gravidezes chegou de forma inesperada — esteve diretamente relacionada com o facto de a atriz não estar preparada para ser mãe e também porque Milano estava em ascensão a nível profissional. A isto a atriz acrescentou ainda que à data estava a tomar um medicamento para o acne, de nome Accutane, capaz de criar malformações no feto.

A decisão de fazer dois abortos foi “devastadora”, conta a atriz, que foi criada na fé católica. “De repente fiquei em conflito com a minha fé. A fé que comecei a perceber dava apenas poder aos homens para tomarem todas as decisões sobre o que era ou não permitido.”