Rádio Observador

Brasil

Aumentam os fogos na Amazónia. Fumo vê-se do espaço. Bolsonaro ironiza e diz que passou de “capitão motosserra” a “Nero”

10.585

Imagens captadas pela NASA mostram o fumo vindo da Amazónia, onde ocorrem 52,6% dos fogos do Brasil. Bolsonaro responde a quem o responsabiliza e diz que passou de "capitão motosserra" a "Nero".

Bolsonaro diz que o alto número de incêndios na Amazónia é normal, já que “é época de queimada por lá"

O número de incêndios no Brasil cresceu 84% até dia 20 de agosto deste ano, em comparação com período homólogo de 2018 – o país registou 74.155 focos até esta segunda-feira. Na Amazónia, o bioma (conjunto de ecossistemas) mais afetado no país, a dimensão dos fogos já permitiu que manchas de fumo fossem captadas em imagens da NASA.

Segundo dados consultados pelo Observador no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Amazónia regista 39.033 focos, ou seja, 52,6% dos incêndios no país, seguindo-se o cerrado — ecossistema que cobre um quarto do território do Brasil — com 30,1% dos focos registados neste ano.

Imagens de satélites da NASA mostram a região brasileira da floresta da Amazónia coberta de manchas de fumo. À esquerda, um registo de 11 de agosto e à direita uma imagem captada dois dias depois, a 13 de agosto.

Nas imagens, captadas pela NASA, podem ver-se quatro dos oito estados que a Amazónia ocupa no país – Mato Grosso, Amazonas, Rondônia e Pará. Sobre o fenómeno dos incêndios, a agência explica que em “julho e agosto a atividade tipicamente aumenta, devido à chegada da época seca”, no entanto costuma atingir “o seu pico no início de setembro”. Ainda que o caso no território brasileiro seja crítico, a NASA garante que no território da bacia amazónica – que percorre sete países diferentes – o registo de incêndios “estava ligeiramente abaixo da média em comparação com os últimos 15 anos”.

[As imagens dos fogos desvalorizados por Bolsonaro]

Jair Bolsonaro reagiu à divulgação dos dados, lamentando a responsabilidade que lhe atribuem na destruição da Amazónia disse com ironia que passou de “capitão motosserra” a “Nero”, o imperador acusado de incendiar e destruir Roma. “Agora estou sendo acusado de tocar fogo na Amazónia. Nero! É o Nero tocando fogo na Amazónia”, disse. O Presidente do Brasil acrescentou ainda que o alto número de incêndios na floresta é normal, já que “é época de queimada por lá”.

Mato Grosso é o estado com mais focos de incêndios registados no Brasil, com 13.999, sendo seguido pelo Pará, com 9.818. O número de focos de incêndio no país já é o maior dos últimos sete anos.

Bolsonaro acusa ONG’s de incendiarem Amazónia

Jair Bolsonaro colocou em cima da mesa a possibilidade de os incêndios que deflagram na Amazónia brasileira terem sido causados por Organizações Não Governamentais. Segundo o Presidente brasileiro, os cortes em fundos do governo destinados a essas organizações estariam na origem de tais ações.

A agência Reuters conta que quando perguntaram ao Presidente brasileiro se tinha provas que justificassem as acusações, Bolsonaro disse que não existia nada escrito: “Não é assim que as coisas funcionam”, acrescentou. “O crime existe. Essas pessoas estão a sentir falta do dinheiro”. 

No início de agosto, o governo do Amazonas decretou situação de emergência no sul do estado e na Região Metropolitana de Manaus devido ao “impacto negativo da desflorestação ilegal e queimadas não autorizadas”. “O Amazonas registou, de janeiro a julho deste ano, 1.699 focos de calor (focos com temperatura acima de 47°C, registados por satélite, que indicam a possibilidade de fogo). Destes, 80% foram registados julho, mês em que teve início o período de estiagem”, declarou o estado do Amazonas no seu ‘site’.

Depois de o Amazonas decretar a situação de emergência, o governo do Acre declarou, na sexta-feira passada, estado de alerta ambiental, também devido aos incêndios em matas.

Ao jornal Estadão, o pesquisador Alberto Setzer explicou que o clima em 2019 está mais seco do que no ano passado, o que propicia incêndios, mas garante que grande parte deles não têm origem natural. “Nesta época do ano não há fogo natural. Todas essas queimadas são originadas em atividade humana, seja acidental ou propositada. A culpa não é do clima, ele só cria as condições, mas alguém coloca o fogo”, afirmou Setzer. A expetativa do especialista é que a situação piore ainda mais nas próximas semanas com a intensificação da seca.

O Inpe, órgão do governo brasileiro que levanta os dados sobre a desflorestação e queimadas no país, foi alvo de críticas recentes por parte do Presidente Jair Bolsonaro, que acusou o Instituto de estar a serviço de algumas organizações não-governamentais por divulgar dados que apontam para o aumento da desflorestação da Amazónia sem primeiro os mostrar à tutela.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Tem cerca de cinco milhões e meio de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (território pertencente à França).

(Notícia atualizada às 15h13 com acusações de Bolsonaro a Organizações Não Governamentais)

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)