Aos 81 anos, Juan Carlos de Borbón prepara-se para ser submetido a uma operação, já este sábado. É a primeira ao coração, mas a 17ª num extenso rol que envolve acidentes considerados menores, próteses e uma clara propensão para problemas na anca e nos joelhos. Há três meses, anunciou a sua retirada da vida pública. A saúde terá, certamente, pesado na decisão, embora os escândalos dos últimos anos também tenham desgastado a imagem do rei emérito de Espanha. Ainda assim, mantém-se ativo. No final de julho, viajou até à Finlândia, a propósito do Campeonato Mundial de Vela (categoria de seis metros). Espanha sagrou-se campeã e lá estava Juan Carlos, acompanhado da filha Elena, a celebrar a vitória.

Quanto à intervenção do próximo sábado, não há detalhes quanto aos motivos, apenas se sabe que fora marcada após uma consulta, da qual o monarca regressou tranquilamente. A cirurgia terá lugar na Clínica Quirón de Pozuelo, em Madrid, onde Juan Carlos dará entrada no próprio dia, facto que, segundo fontes do jornal El Mundo, indicará que não se trata de uma intervenção urgente nem de grande risco.

Uma coisa é certa: Juan Carlos tem uma caderneta bem recheada de intervenções cirúrgicas. São 17, se contarmos com a que se aproxima e dessas, 11 realizaram-se desde 2010. Os anos de 2012 e 2013, imediatamente antes de abdicar do trono a favor do filho Felipe, foram os mais complicados na agenda clínica do monarca. Só nesse período, foi submetido a seis operações, cinco delas à anca. Em suma, são 16 as ocorrências clínicas que compõem os historial médico de Juan Carlos.

A primeira operação, em 1954

A primeira intervenção cirúrgica de Juan Carlos aconteceu em 1954, quando ainda era um adolescente de 16 anos. Na origem, esteve uma apendicite. O futuro rei estava, na altura, na cidade marroquina de Tânger e teve de ser operado de urgência. O apêndice foi removido a tempo, evitando a evolução da infeção.

Em 2010, numa clínica em Barcelona, depois de ter retirado um tumor do pulmão direito © JOSEP LAGO/AFP/Getty Images

Uma partida de squash e um braço ao peito

O então já rei voltaria à sala de operações com cerca de 43 anos, em 1981. Dessa vez, a intervenção foi no braço. Numa partida de squash com o tenista Manolo Santana, no Palácio da Zarzuela, acabou por se cortar numa porta de vidro. O ferimento não foi propriamente superficial. Um dos pedaços da porta afetou o nervo radial causando a mais grave de vários lesões, incluindo no músculo, no tórax, no antebraço, nas mãos e no nariz. A operação não deixou sequelas, mas Juan Carlos andou um mês com o braço engessado.

O primeiro acidente na neve

Quatro anos depois, uma terceira intervenção, esta à pélvis do rei. Mais de dois anos antes, Juan Carlos havia feito uma fissura nesta zona ao cair na pista de esqui da estação suíça de Gstaad. Resultado? Uma fibrose que acabou por ser removida numa clínica em Barcelona, a 19 de julho de 1985. A recuperação levou meses, durante os quais o rei teve de usar muletas e uma cinta pélvica.

Em 2013, no hospital, altura em que foi operado para recolocar a prótese na anca © Getty Images

Outra escorregadela na neve

Com o avançar da idade, a gravidade foi aumentando. Com 53, a 30 de dezembro de 1991, Juan Carlos voltou a ser operado, dessa vez para minimizar uma fratura no prato tibial externo, na sequência de uma lesão no joelho direito. Mais um acidente na neve — o rei esquiava em Baqueira-Beret, nos Pirinéus. A lesão acabaria por voltar e por exigir outras intervenções.

As varizes de Juan Carlos

É um mal menor, mas continua a ser um carimbo no passaporte hospitalar de Juan Carlos. O rei foi operado às varizes da perna direita em 2001, na clínica Sant Josep de Barcelona, onde permaneceu apenas um dia para observação. Num instante, já estava de regresso a casa.

Um tumor benigno no pulmão

Aos 72 anos, a sexta intervenção cirúrgica. No dia 8 de maio de 2010, o rei regressa a Barcelona por motivos de saúde. Após ter sido diagnosticado com um nódulo no pulmão direito, Juan Carlos foi operado pelo especialista Laureano Molins. O objetivo foi remover a massa cancerígena e analisá-la de forma a confirmar ou despistar a existência de células malignas. No final de setembro desse mesmo ano, a casa real anunciou a total recuperação do monarca.

O joelho direito, segundo round

O joelho direito viria a dar muitas dores de cabeça (e não só) ao rei de Espanha. Em junho de 2011, foi submetido a outra operação, dessa vez para a instalação de uma prótese, a primeira. O desgaste decorrente da lesão anterior, bem como de artroses, assim obrigaram. Tudo aconteceu no Hospital San José, em Madrid, e pelas mãos de Ángel Villamor, especialista em traumatologia, com Juan Carlos sob o efeito de epidural. Com os movimentos mais condicionados, o rei começou a fazer-se acompanhar de muleta.

O tendão de Aquiles

Nesse mesmo ano, em setembro, regressou ao mesmo hospital devido a uma rotura do tendão de Aquiles, no pé esquerdo, logo após ter deixado de usar muletas. A cirurgia não exigiu que o rei ficasse internado.

Em abril de 2018, à saída do hospital, após a cirurgia ao joelho © Getty Images

A caça aos elefantes e uma anca feita em cacos

Hospital San José, Ángel Villamor, abril de 2012 — um autêntico dejá vu para Juan Carlos. Contudo, o problema não foi o joelho, mas sim a anca, na sequência de uma queda do rei durante a polémica viagem ao Botswana (aquela em que caçou elefantes). O lado direito da anca ficou partido em três, o que, somando as artroses, não deixou alternativa. O médico implementou uma prótese, a segunda.

A luxação

Nova visita ao doutor Villmor, em 2012, dessa vez por causa de uma luxação causada pela prótese que havia sido colocada há menos de um mês e desencadeada por um mau jeito, durante uma visita de um ministro dos Emirados Árabes Unidos ao Palácio da Zarzuela.

O lado esquerdo da anca

Desgastada por artroses, também a parte esquerda da anca precisou de uma prótese, em novembro de 2012.

A hérnia discal

Em Madrid e sob o efeito de uma anestesia geral, Juan Carlos submeteu-se, em março de 2013, a uma operação, esta para remover uma hérnia discal lombo-sacra da coluna. A intervenção foi levada a cabo pelo médico Manuel de la Torre na clínica La Milagrosa. Uma semana depois, já estava em casa.

O lado esquerdo da anca… outra vez

Em setembro de 2013, voltou a ser operado à anca. A prótese do lado esquerdo da anca estava a causar uma infeção e, antes que esta se alastrasse, o cirurgião Miguel Cabanela sunstitui-a por uma peça provisória.

A prótese definitiva

Dois meses depois, o mesmo especialista voltava a operar o rei de Espanha, aí para colocar a nova prótese definitiva no lado esquerdo da anca. É com esta que o monarca vive até hoje.

Juan Carlos, após a operação ao olho, em março deste ano © Getty Images

Joelho direito, terceiro round

Durante cinco anos, a saúde do rei de Espanha estabilizou. Em abril do ano passado, Juan Carlos voltou a ser submetido a uma cirurgia, destinada a substituir a prótese que, há sete anos, havia sido colocada no joelho direito. A fotografia de família em que surge como o “rei aleijado” acontece após esta operação.

O olho esquerdo

Em março deste ano, o rei surgiu em público com uma marca no olho esquerdo. Segundo a casa real, havia sido operado a uma lesão cutânea causada pela exposição excessiva ao sol.