O Ministério Público Federal (MPF) está a investigar uma alegada iniciativa promovida por um jornal local, alguns dias antes do início dos incêndios na Amazónia. A publicação do jornal do município de Novo Progresso, no sul do Pará, apelava aos produtores rurais que ateassem fogo nas suas propriedades, naquilo que seria uma demonstração de apoio ao presidente Jair Bolsonaro — o “Dia do Fogo”.

Os procuradores questionaram o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sobre se haveria alguma ação preventiva para impedir a realização do “Dia do Fogo”, ali anunciado, mas foram informados de que, sem o apoio da Polícia Militar, as ações de fiscalização do Ibama ficariam prejudicadas, escreve O Globo. A ausência do suporte da Polícia Militar terá impedido que os fiscais do Ibama atuassem para impedir a realização da iniciativa.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) o Ministério Público Federal tem vindo a analisar indícios que apontam para a diminuição das ações de fiscalização no Pará, um dos que tem sido mais afetado pelo aumento do número de queimadas e desmatamento. De acordo com o órgão, os procuradores da República tentaram durante 10 dias agendar uma reunião com a Secretaria de Segurança Pública do estado para obter informações sobre a retirada do apoio dado pela Polícia Militar às ações do Ibama.

“Essa história de que a Amazónia pertence à humanidade é ‘bobagem'”

Uma “piada”. É assim que o ministro do Meio Ambiente brasileiro, Ricardo Salles, classifica a ideia de que a Amazónia pertence à humanidade. Em entrevista ao jornal Estadão, o responsável do executivo brasileiro afirma que o país tem soberania sobre a Amazónia e que a função que a mesma é património brasileiro.

“A Amazónia não é pulmão do mundo. Isso já foi dito e reconhecido. A Amazónia tem o seu ciclo fechado. Ela emite o que consome. Agora, tem um papel importante de regulação hidrológica, das chuvas, a história dos “rios voadores” que irrigam a agricultura no resto do Brasil. Tudo isso é verdade. Então, tem uma função importante para a questão climática aqui no Brasil”, disse Ricardo Salles ao jornal brasileiro.

O ministro repetiu ainda a ideia de que é necessário que se reconheça que o desmatamento tem vindo a aumentar desde 2012 e que em 2015 “ganhou um maior fôlego”, não podendo ser imputado ao governo de Jair Bolsonaro. O ministro afirma —embora não negando o aumento desmatamento — que os dados publicados como relativos a junho de 2019 eram, diz, de agosto de 2018.

O ministro, que irá visitar com Bolsonaro Nova Iorque, Washington e alguns países na Europa, defende que é necessário esclarecer as pessoas e mostrar tudo aquilo que está a ser feito na Amazónia com a alteração das atividades económicas. “Vamos mostrar tudo o que o Brasil já faz e tudo que queremos fazer. Aqueles que tiverem disposição para ouvir e debater certamente vão mudar, em alguma medida, de opinião”, afirmou Ricardo Salles.