A vitória deste sábado por 2-0 foi a primeira do FC Porto de Sérgio Conceição frente ao Benfica de Bruno Lage no campeonato, mas trazia uma importância que ia além desse dado estatístico: se os portistas vencessem, conseguiam alcançar os encarnados na pontuação — depois de uma derrota com o Gil Vicente logo na primeira jornada — e evitar uma maior distância da liderança, apesar de esta ainda ser apenas a terceira jornada. E, apesar do “excelente jogo”, Sérgio Conceição avisou logo: “Isto não quer dizer que o Benfica não é fortíssimo e que nós ontem éramos os piores e hoje somos os melhores”.

O treinador dos dragões destacou que a semana de trabalho da equipa foi “muito positiva” e que os jogadores estavam confiantes com aquilo que poderiam fazer no Estádio da Luz. Confessou, aliás, que “tinha que haver um grande Futebol Clube do Porto para ganhar ao Benfica”.”Entramos muito bem no jogo, de uma forma agressiva, a pressionar a primeira fase de construção e a bloquear aquilo que era o jogo do Benfica, com uma boa ocupação do espaço. Não permitimos que o Benfica chegasse a baliza”, referiu na zona de entrevistas rápidas.

Ainda assim, e apesar de achar que este foi “o melhor jogo da época” até ao momento e “talvez o melhor jogo do FC Porto em casa do Benfica”, Conceição não achou o jogo perfeito: “Chegamos em algumas ocasiões onde poderíamos ter feito mais, se a definição fosse diferente”. Os três pontos conquistados esta tarde, acrescenta o técnico, “não decidem nada” isoladamente. “No ano passado virámos o campeonato com alguns pontos de vantagem e acabámos por perder. Têm significado se no próximo fim de semana ganharmos ao Vitória, e assim sucessivamente. São três pontos importantes, mas nada decisivo”, destacou.

Já na conferência de imprensa, Conceição voltou a referir os “indicadores fantásticos nos treinos” dados pela equipa e indicou que a tática pensada para este jogo passou por “limitar ao máximo os pontos fortes do Benfica e procurar alguns pontos fracos”. 

No futebol tudo pode acontecer, mas percebi que íamos fazer um bom jogo, um excelente jogo, de grandíssima qualidade. O adversário estava preparado para essa pressão, mas a zona, o momento, foi importante. O nosso duplo pivô foi irrepreensível. Obrigámos o Benfica a circular por fora, estávamos preparados para algumas situações de cruzamento. Em termos ofensivos, tivemos critério no nosso processo, em ataque continuado, em transição”, acrescentou Sérgio Conceição.

O técnico dos dragões considerou que foi “uma vitória justíssima” da parte dos dragões, comentando ainda que o onze que jogou este sábado e ganhou não tem necessariamente que significar que vai ser o onze preferencial para todos os jogos, até porque, a seu ver, as ações dos substitutos Tiquinho Soares, Manafá e Otávio foram importantes durante o jogo, com assistências e maior tranquilidade. “O grupo é importante. Com mais dias de trabalho vão-se conhecendo melhor. Não somos de andar desesperados. Ontem não éramos os piores e hoje não somos os melhores”, referiu o treinador.

Sérgio Conceição voltou a falar ainda da ação tática do FC Porto frente ao Benfica, destacando a tentativa de explorar o espaço dos laterais, não deixar que o Benfica conseguisse chegar de forma ligada ao ataque e também anular ação de Rafa no jogo, “mas não à pancada como alguns quiseram passar cá para fora”. Ganhar a um rival histórico, acrescentou, “não vale mais do que três pontos”, mas Conceição admite que o ambiente nestes jogos é sempre diferente. “Não é confiança naquilo que é o nosso trabalho, é mais a atmosfera, o ambiente que é criado. Hoje em dia vocês sabem que o treinador facilmente passa de besta a bestial”, referiu, acrescentando: “Os duelos diretos são importante mas não são decisivos”.

Vim cá, ganhei, vim cá e também já perdi. Acho que é o ambiente que se cria à volta do clássicos e dos dérbis. Estes jogos em termos mediáticos são diferentes”, afirmou, voltando a sublinhar que “não há festejos de pontos, há festejos de títulos” e que o FC Porto apanhou também “um dia menos bom do Benfica” e “um dia fantástico” dos dragões.