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Coates, a luz do motor que reacende quando o carro já parecia estar a pegar (a crónica do Sporting-Rio Ave)

Este artigo tem mais de 3 anos

O Sporting começou a época sem gás, encheu o depósito com o Portimonense e viu a luz do motor reacender com o Rio Ave e por intermédio de Coates (2-3). E não se sabe se é avaria para durar.

O avançado uruguaio acabou por ser expulso na sequência do terceiro penálti
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O avançado uruguaio acabou por ser expulso na sequência do terceiro penálti

LUSA

O avançado uruguaio acabou por ser expulso na sequência do terceiro penálti

LUSA

Quando a luz do motor acende, a maioria dos condutores fica em alerta vermelho. Uma avaria no motor, para além de ser um dos problemas mais graves que um carro pode ter, é dispendiosa, demorada e imprevisível. Ainda assim, muitas vezes, essa mesma luz apaga segundos depois de acender, quando o carro aquece e anda alguns metros. O condutor descansa e esquece a luz do motor, segue caminho e não volta a recordar o susto de há momentos. O problema é que, na larga maioria das vezes, basta um solavanco, uma travagem menos calculada ou uma manobra mais áspera para que a luz do motor volte a acender e a preocupar o condutor.

Este pormenor de mecânica que é também senso comum assemelha-se, em larga escala, ao momento que o Sporting vive nesta altura. A luz do motor acendeu na Supertaça, com a goleada sofrida com o Benfica, manteve-se acesa na primeira jornada e no empate com o Marítimo e apagou em Alvalade, com o Sp. Braga, quando o carro aqueceu e começou a carburar, culminando na vitória convincente perante o Portimonense na semana passada. Ora, ainda assim, e mesmo estando em primeiro lugar com os mesmos pontos que o Famalicão e mais um do que os rivais diretos, a verdade é que basta ao Sporting e ao Marcel Keizer um solavanco, uma travagem ou uma manobra para que a luz do motor volte a acender.

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Ficha de jogo

Sporting-Rio Ave, 2-3

4.ª jornada da Primeira Liga

Estádio de Alvalade, em Lisboa

Árbitro: João Pinheiro (AF Braga)

Sporting: Renan, Thierry, Coates, Mathieu, Acuña (Gonzalo Plata, 90+1′), Doumbia, Wendel, Bruno Fernandes, Raphinha, Vietto (Borja, 79′), Luiz Phellype

Suplentes não utilizados: Luís Maximiano, Neto, Eduardo, Rafael Camacho, Diaby

Treinador: Marcel Keizer

Rio Ave: Kieszek, Nelson Monte, Borevkovic, Aderlan Santos, Matheus Reis, Tarantini (Jambor, 74′), Filipe Augusto, Nuno Santos (Carlos Mané, 68′), Diego Lopes, Mehdi Taremi, Bruno Moreira (Ronan, 79′)

Suplentes não utilizados: Paulo Vítor, Pedro Amaral, Messias Jr, Gabrielzinho

Treinador: Carlos Carvalhal

Golos: Filipe Augusto (gp, 6′ e 90+1′), Bruno Fernandes (20′), Luiz Phellype (53′), Ronan (gp, 86′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Coates (4′ e 89′), Filipe Augusto (18′), Matheus Reis (57′); cartão vermelho por acumulação a Coates (89′)

Este sábado, o Sporting recebia o Rio Ave assente nas boas indicações deixadas em Portimão mas sabia que um empate ou uma derrota, principalmente em casa, podiam significar o recordar da crise do final da pré-temporada e início da época. Marcel Keizer, ciente de que seria o epicentro desse reavivar da crise caso o cenário confirmado fosse qualquer um que não a vitória, decidiu apostar numa espécie de evolução na continuidade e não fez qualquer alteração à equipa que bateu o Portimonense, mantendo a titularidade de Vietto e deixando Diaby novamente no banco de suplentes. Do outro lado, Carlos Carvalhal — que voltava a Alvalade dez anos depois de ter orientado os leões — também mantinha o onze inicial que goleou o Desp. Aves na jornada anterior e contava com Mehdi Taremi, o avançado que marcou um hat-trick à equipa da Vila das Aves e esteve em dúvida durante a semana devido a uma lesão muscular. No banco estava Carlos Mané, antigo jogador do Sporting que se transferiu este verão para o Rio Ave.

Na disposição inicial dos jogadores em campo, depressa se percebeu que Raphinha atuaria no corredor direito, que Vietto estaria tombado para a esquerda e que Bruno Fernandes ocuparia os terrenos entre os dois, nas costas de Luiz Phellype — ainda assim, o argentino aparecia muito por dentro, em espaços interiores e perto do médio português, enquanto que o brasileiro surgia mais facilmente na grande área e em zonas de finalização. Mais atrás, numa zona recuada do meio-campo, Doumbia e Wendel cumpriam funções mais defensivas, ainda que o brasileiro fosse sempre o escolhido para sair com bola e servir de fase inicial de construção. Tudo isto se tornou secundário, porém, logo aos quatro minutos, quando Coates carregou Taremi em falta no interior da área de Renan e cometeu grande penalidade. Na conversão, Filipe Augusto fez o terceiro golo da conta pessoal esta temporada (6′), sendo que todos foram de penálti, e colocou o Rio Ave a vencer em Alvalade (marcando ainda o primeiro golo em quatro anos que os vilacondenses apontaram em casa do Sporting).

Contudo, e mesmo antes de chegar ao golo, a verdade é que o Rio Ave já tinha deixado perceber que iria incomodar os leões ao tentar entrar nas costas da defesa, com passes de rotura colocados ou entre Acuña e Mathieu, ou entre Thierry e Coates, ainda que sempre com alguma preponderância para a faixa esquerda do setor mais recuado da equipa de Keizer. De forma natural, porém, o Sporting subiu as linhas e procurou começar a pôr em prática o que tinha pensado para o jogo, já que não teve tempo para o fazer até ficar em desvantagem. Nos 20 minutos iniciais, os leões construíram oito ataques mas não conseguiram rematar uma única vez, permanecendo sem qualquer oportunidade de golo — ainda assim, o jogo estava com um ritmo interessante, muito dividido no centro do terreno, e os dois conjuntos mostravam que tinham preparado o encontro de forma meticulosa. O Sporting chegou ao empate precisamente através do primeiro remate que fez, com Acuña a aparecer adiantado na faixa esquerda e a cruzar rasteiro para a grande área; Luiz Phellype falhou o desvio ao primeiro poste, Raphinha tentou rematar ao segundo mas a defensiva do Rio Ave aliviou para a zona da marca de penálti; Bruno Fernandes, vindo de trás, encheu o pé, não deu qualquer hipótese a Kieszek e assinou o 50.º golo com a camisola leonina (20′).

O Sporting podia ter-se colocado a vencer logo em seguida, com Bruno Fernandes a esticar-se para desviar uma bola cruzada por Raphinha (21′), mas o empate dos leões acabou por levar a partida para um período morno que se estendeu até ao intervalo. Nenhuma das equipas conseguia controlar as ocorrências durante espaços prolongados de tempo: os vilacondenses criavam perigo pelo corredor direito do ataque mas falhavam normalmente o último passe, enquanto que os leões tinham o setor intermédio e o ofensivo demasiado distantes, com Bruno Fernandes e Vietto a tentar servir de elos de ligação mas com dificuldade em encontrar linhas de passe para estender o jogo. No final da primeira parte, e já depois de Wendel ver um golo ser anulado já no período de descontos por fora de jogo (45+1′), adivinhava-se um segundo tempo muito discutido entre duas equipas que iriam claramente procurar a vitória.

Na segunda parte, nenhum dos treinadores fez alterações e Renan abriu o segundo tempo logo com uma grande intervenção, ao evitar o golo de Taremi com o pé depois de um passe longo que deixou o avançado do Rio Ave isolado e em direção à baliza leonina (46′). As duas equipas voltaram do intervalo tal e qual como tinham deixado o relvado, com um elevado respeito mútuo que se materializava num encaixe no meio-campo. O Sporting acabou por conseguir chegar à vantagem antes de estarem cumpridos dez minutos do segundo tempo, com Luiz Phellype a aproveitar um ressalto após um remate de Vietto na sequência de um cruzamento de Thierry (53′). O avançado brasileiro, único avançado de raiz que os leões têm atualmente no plantel depois da saída de Bas Dost, marcou pelo segundo jogo consecutivo e continua a tentar mostrar que é a opção primordial de Marcel Keizer para a frente de ataque, mesmo que chegue eventualmente um reforço.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Sporting-Rio Ave:]

Depois do golo de Luiz Phellype, o Sporting repetiu o que havia feito há duas semanas, com o Sp. Braga, ao invés de recuperar o que conseguiu colocar em prática em Portimão. Se em Alvalade e com os minhotos os leões recuaram as linhas e juntaram os blocos quando estavam em vantagem, para segurar o resultado, com o Portimonense a equipa de Marcel Keizer manteve-se adiantada no terreno e a aplicar uma pressão muito forte e muito alta. Há duas semanas, mesmo com um golo de Wilson Eduardo, o Sporting acabou por conseguir segurar a vitória; na semana passada, Raphinha chegou ao terceiro golo e os leões cumpriram a exibição mais completa da temporada; este sábado, verificando-se o primeiro cenário tático e anímico, falhou o resultado final.

Carlos Carvalhal, que havia prometido ir a Alvalade “jogar olhos nos olhos”, lançou Mané, Jambor e Ronan e fez all in, deixando claro que queria ir à procura do empate ou de algo mais. Já Marcel Keizer trocou Vietto por Borja, para colocar Acuña a servir de tampão no meio-campo, e assumiu que o objetivo a partir daí era não sofrer golos e não tentar marcá-los. Nesta altura, Bruno Fernandes atirou um livre direto que parou numa boa defesa de Kieszek (82′) e na jogada seguinte, numa nova tentativa de transição por parte do Rio Ave, Coates voltou a cometer grande penalidade sobre Taremi e Ronan empatou a partida (83′). Acuña teve na cabeça o golo da vitória, ao acertar no poste depois de um cruzamento largo de Raphinha (88′), e do outro lado, um pouco à medida de uma espécie de “Groundhog Day”, Coates voltou a fazer falta sobre Taremi no interior da grande área (99′) — e acabou expulso por acumulação de amarelos. Filipe Augusto marcou, bisou e pôs o Rio Ave a vencer em Alvalade (90+1′), num resultado que já não se alterou até ao final da partida.

O Sporting perdeu pela primeira vez na Liga e falhou a manutenção da liderança, deixando o Famalicão enquanto líder isolado da classificação. Coates, através das três grandes penalidades cometidas sobre Mehdi Taremi, tornou-se a luz do motor que voltou a acender em Alvalade: os leões voltaram a não ganhar, voltaram a passar uma segunda parte inteira no próprio meio-campo, Marcel Keizer voltou a ser assobiado quando lançou Gonzalo Plata só depois de estar em desvantagem e já apareceram os primeiros lenços brancos. A luz do motor acendeu na Supertaça, apagou com o Sp. Braga e voltou a surgir com a travagem imposta pelo Rio Ave. E é preciso perceber se é avaria para durar.

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