O ex-primeiro-ministro José Sócrates vai ser interrogado no âmbito da Operação Marquês, avançou esta segunda-feira a SIC. Segundo o despacho assinado pelo juiz Ivo Rosa, a que o Observador teve acesso, o ex-governante pediu na abertura de instrução para ser ouvido e o magistrado decidiu agora as datas para que se desloque ao Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa.

No despacho de Ivo Rosa, com data de 9 de setembro, o magistrado lembra que foi o próprio arguido que pediu para prestar declarações nesta fase do processo em que se decidirá se o caso segue para julgamento, e caso siga com quem e com que crimes. Segundo a lei, o juiz de instrução  interroga os arguidos sempre que estes o peçam. Assim, o juiz que conduz a instrução da Operação Marquês marcou para as 14h00 do dia 28 de outubro a primeira inquirição. No entanto, e tendo em conta a dimensão da acusação — como justifica o próprio Ivo Rosa — é previsível que o interrogatório se prolongue por mais sessões. Por isso, o juiz marcou também os dias 29, 30 e 31 outubro pela mesma hora.

O antigo líder socialista foi acusado pelo Ministério Público da alegada prática de três crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, 16 crimes de branqueamento de capitais, nove crimes de falsificação de documento e três crimes de fraude fiscal qualificada, no âmbito da Operação Marquês.

Também o arguido que é considerado o braço direito de José Sócrates, Carlos Silva, pediu para ser ouvido durante a instrução. Mas o juiz ainda não atribuiu qualquer data. Recorde-se que o ex-governante alegou sempre que todo o dinheiro que recebeu deste amigo, e que o Ministério Público considera serem “luvas”, foi dinheiro emprestado sem qualquer origem criminosa.