Rádio Observador

Livros

“Dois anos antes de sair de casa o meu pai disse à minha mãe que eu era muito feia”. É assim que começa o novo livro de Elena Ferrante

211

O novo romance da autora bestseller que contou ao mundo a história de Lila e Lenù vai ser publicado em novembro. Também se passa em Nápoles e não tem título conhecido. Mas o início já foi revelado.

A tetralogia iniciada com "A Amiga Genial" foi transformada em série pela HBO

“Dois anos antes de sair de casa o meu pai disse à minha mãe que eu era muito feia. A frase foi dita em surdina, no apartamento que os meus pais, recém-casados, compraram no Rione Alto, no cimo da Via San Giacomo dei Capri. Tudo — o espaço de Nápoles, a luz azul de um fevereiro muito frio, aquelas palavras – permaneceu imutável. Mas eu escapei, e continuo a escapar-me, por entre estas linhas que deviam destinar-se a dar-me uma história mas de facto não são nada, nada de meu, nada que tenha realmente começado ou que tenha sido realmente levado a cabo: são apenas um nó emaranhado e ninguém, nem sequer ela que está neste momento a escrever, sabe se contêm o fio certo para uma história ou se são apenas uma confusão resmungada de sofrimento, sem redenção.”

Eis o primeiro parágrafo do novo romance de Elena Ferrante, que será publicado em Itália no próximo dia 7 de novembro, anunciou esta segunda-feira a italiana Edizioni E/O . É a primeira vez em cinco anos que a autora, que escreve sob pseudónimo e assinou entre 2011 e 2014 aquela que ficou conhecida como tetralogia napolitana, publica um romance.

Apesar de nenhuma das editoras ter revelado o título do novo livro, a publicação do primeiro parágrafo já desvendou a localização de pelo menos parte da nova narrativa. Tal como na tetralogia iniciada com “A Amiga Genial”, que conta ao longo de várias décadas (a começar nos anos 50) a história de amizade e rivalidade de Lila e Lenù, a ação do novo romance da escritora italiana passa-se em Nápoles, cidade no sul de Itália onde até já se organizam visitas guiadas ao universo criado por Ferrante.

Desde os quatro romances com que alcançou a fama (“A Amiga Genial”, “História do Novo Nome”, “História de Quem Vai e de Quem Fica” e “História da Menina Perdida”) e vendeu mais de 10 milhões de cópias em 40 países, Elena Ferrante publicou apenas um livro. Em “A Invenção Ocasional”, a escritora cuja identidade permanece um mistério, reúne os 51 textos que publicou durante um ano menos uma semana no britânico The Guardian.

O anúncio da publicação do novo romance surge numa altura em que foi anunciada a segunda temporada da série homónima da HBO.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: tpereirinha@observador.pt
História

O azar do museu Salazar /premium

P. Gonçalo Portocarrero de Almada

A ignorância e o fanatismo, que estão na origem dos totalitarismos, combatem-se com a verdade e o conhecimento. A ditadura não se vence com a ignorância, mas com a ciência.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)