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Brexit

Falta de medicamentos e desordem pública. Revelado documento que prevê o caos num Brexit sem acordo

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Um documento secreto que prevê um cenário quase apocalíptico do futuro foi publicado pelo Governo. "O Reino Unido reverte totalmente para um estatuto de país terceiro" à UE, lê-se.

O documento revela que, neste cenário, o Reino Unido reverte totalmente para um estatuto de país de terceiro à UE

TOLGA AKMEN/AFP/Getty Images

As consequências catastróficas que um Brexit sem acordo poderá ter para o Reino Unido estão escritas num documento de seis páginas, que descreve o cenário de saída como caótico. Aumento dos preços da comida e combustível, falta de medicamentos e desordem pública são algumas das consequências que preveem um cenário quase apocalíptico do futuro.

Embora alguns detalhes confidenciais da “Operação Yellowhammer” — o nome do plano de contingência do governo britânico caso o Brexit não siga em frente — tivessem sido já sido divulgados por meios de comunicação, o documento foi publicado oficialmente esta quarta-feira. O governo viu-se obrigado a fazê-lo depois de a moção pela divulgação do documentos confidenciais ter sido aprovada com uma margem de nove pontos. E pode ser lido aqui.

Quando o Reino Unido deixar de ser um membro da União Europeia (UE), em outubro de 2019, todos os direitos e acordos recíprocos com a UE acabam. O Reino Unido reverte totalmente para um estatuto de país de terceiro“, introduz o documento.

Mas qual é então o pior cenário possível para um Brexit sem acordo? Estas são algumas das consequências previstas:

Atrasos nas fronteiras. França irá impor controlos obrigatórios de todos os bens vindo do Reino Unido, a partir do dia um de um Brexit sem acordo, lê-se no documento. Considerando que 85% dos camiões que atravessam o Canal da Mancha podem não estar prontos para o novo regime aduaneiro francês, a taxa de fluxo deverá diminuir para 40% a 60%. Isto porque os veículos pesados de mercadorias que não estiverem ajustados a este novo regime irão ocupar os portos e bloquear o fluxo. A situação pode durar, pelo menos, três meses.

Eletricidade mais cara. O documento prevê um aumento “considerável” dos preços da eletricidade para os consumidores, mas não prevê cortes no fornecimento de eletricidade ou gás.

Menos comida e mais cara. A quantidade de “alguns tipos de comida fresca” pode diminuir. O documento não prevê escassez de alimentos, mas alerta que a disponibilidade de alguns produtos deverá diminuir e o preço deverá aumentar — prevendo-se assim algum impacto sobre a população mais vulnerável.

Falta de medicamentos. Tendo em conta que uma percentagem significativa dos medicamentos chegam ao Reino Unido por via terrestre, o documento prevê que alguns atrasos possam ter implicações negativas — especialmente em medicamentos com validade curta que não podem ser armazenados. A falta de medicamentos veterinários também pode fazer aumentar o risco de surtos de doenças, segundo acrescenta o documento.

Desordem pública. Estas consequências poderão levar a outra maior: protestos em todo o Reino Unidos, que podem implicar a mobilização de grandes quantidades de meios policiais. “Também pode haver um aumento da desordem pública e tensões na comunidade”, acrescenta o documento.

Gibraltar sofre consequências. O cenário parece piorar para este território ultramarino britânico. Interrupções no fornecimento de mercadorias, alimentos e medicamentos de mais de quatro horas estão previstas no documento. E esta situação — que antecede um impacto negativo na economia de Gibraltar — pode prolongar-se durante vários meses. O documento acusa no entanto as autoridades deste território de ainda não se terem preparado para a possibilidade de um Brexit sem acordo.

A proposta para obrigar o Governo a publicar este documento foi feita pelo deputado conservador Dominic Grieve e recebeu 311 votos a favor. No entanto, mais informação poderá ainda vir a ser divulgada. A informação exigida abrange mensagens enviadas por WhatsApp e emails trocados desde 23 de julho de 2019 relacionados com o pedido de suspensão do Parlamento e com a operação Yellowhammer.

*Artigo corrigido às 10h35. Onde se lia “país de terceiro mundo” lê-se agora corretamente “país terceiro” à UE.

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