A criação da peça “Os filhos do colonialismo”, de André Amálio, deu o mote para o “Ciclo Memórias Coloniais”, que a Culturgest acolhe a partir do dia 19, em Lisboa, em parceria com outras entidades, e contemplando várias práticas artísticas. É uma reflexão sobre colonialismo e herança colonial, um tema que não é estranho na sociedade portuguesa e que a Culturgest que ver discutido, disse Liliana Coutinho, responsável pela programação de conferências e debates desta fundação cultural.

“É um tema que não nos é estranho e que achamos que é importante, porque fala da nossa sociedade, da multiplicidade que a compõe, das várias memórias e histórias que se encontram em território português e que precisam de ser escutadas. É uma riqueza de histórias que vem desse contacto com a história colonial, em relação com outros territórios culturais e sociais”, afirmou.

O extenso programa, que abre a temporada 2019/2020 da Culturgest, incluirá teatro, conferências, debates e cinema, envolvendo o Goethe Institut, os grupos de investigação AFRO-PORT Afrodescendência em Portugal e Discursos Memorialistas e a Construção da História e o projeto Memoirs – Filhos do Império e Pós-Memórias Europeias, de França, Bélgica e Portugal. “Agregámos uma série de pessoas e de agentes que trabalham todos os dias nestes tema”, explicou Liliana Coutinho.

O ciclo estender-se-á até outubro e contará, por exemplo, com a conferência “Políticas da memória seletiva”, da historiadora marroquina Fátima Harrak, e com a retrospetiva cinematográfica coordenada por Maria do Carmo Piçarra com os “vários subgéneros cinematográficos dos filmes coloniais”.

No dia 24 acontecerá uma mesa redonda sobre arquivos cinematográficos e o poder a ele associados, tanto para europeus como para africanos. Nela participarão a realizadora portuguesa Filipa César, o cineasta angolano Fradique, o diretor artístico nigeriano Didi Cheeka e o cineasta egípcio Tamer El Said.

A peça “Os filhos do colonialismo”, de André Amálio, pelo Hotel Europa, que deu o mote para todo o ciclo, estreia-se no dia 26, na Culturgest, tratando da questão da pós-memória do período colonial. “É aquela memória das pessoas que não viveram o momento da guerra colonial e isso é um debate que acontece em Portugal e ele [André Amálio] formula-o de forma artística. É um debate que existe noutras esferas, está a acontecer a nível europeu e é global”, referiu a programadora.

A partir do arquivo pessoal, André Amálio irá ainda protagonizar, a 05 de outubro, uma performance de 13 horas intitulada “O fim do colonialismo português”.