Foi há mais de um ano mas ficará para sempre: em Verona, cidade de Romeu e Julieta, começou a história de amor entre o mais desejado dos príncipes do futebol mundial e uma Vecchia Signora apostada em criar uma nova era. Nesse jogo frente ao Chievo, o avançado não marcou apesar da vitória da equipa. E assim aconteceu a seguir com Lazio e Parma, até surgir o primeiro golo na Serie A à quarta jornada, diante do Sassuolo, 320 minutos depois da estreia. No final do Campeonato, que terminou com o mais do que esperado triunfo da Juventus, o português acabou com 21 golos, a que se juntaram mais sete nas restantes provas. Mas mais curioso ainda, nunca teve uma série de mais do que três partidas consecutivas sem marcar.

Na sequência da saída de Massimiliano Allegri do comando técnico, muito por culpa da eliminação precoce da Liga dos Campeões nos quartos frente ao Ajax, Maurizio Sarri regressou à Serie A apenas um ano depois de ter trocado o Nápoles pelo Chelsea (onde venceu a Liga Europa) com o objetivo de lutar por essa glória europeia. E, como aqui já tínhamos contado no nulo da Juventus com a Fiorentina, numa das primeiras conversas que teve com Ronaldo pediu ao avançado 40 golos na temporada. Quarenta, quatro e zero. Meta possível? Com o português, sim; com a equipa a jogar como em Florença, em por isso.

“O Ronaldo está a ter muito mais bola que no passado. Não é fácil conseguir remates contra o Atl. Madrid mas ele arranjou espaço para fazer três. Esperamos muito dele e quando ele tem um bom jogo, parece que não fez nada de excecional. Mas fez e ao minuto 94 ainda teve aquela jogada com azar em que a bola acabou fora”, comentou o treinador transalpino no lançamento da receção da Juventus ao Hellas Verona, que teve Miguel Veloso como capitão. Em parte, o reconhecimento da jogada de génio já nos descontos onde o português fintou meia equipa espanhola antes de rematar a rasar o poste faz sentido mas, em paralelo, voltou a haver demasiado distanciamento da equipa com a sua principal referência ofensiva. E talvez por isso tenha voltado uma fórmula que na temporada transata teve sucesso em tantos jogos: Dybala ao lado do número 7 na frente.

Não foi a única mexida no seguimento da igualdade no Wanda Metropolitano com os colchoneros a contar para a Champions: Buffon ocupou a baliza, Demiral fez dupla com Bonucci no eixo da defesa, Betancur e Ramsey juntaram-se a Matuidi no meio-campo e Dybala rendeu Higuaín no ataque. Cinco alterações em todos os setores que não vieram alterar assim tantas coisas em relação aos principais problemas de jogo ofensivo desta Juve, apesar do remate perigoso de Ronaldo ainda do primeiro quarto de hora que saiu a rasar a trave de Silvestri num movimento da esquerda para o centro. Pouco depois, o português voltaria a ser protagonista mas por outras razões, ao cair na área num lance que deixou muitas dúvidas e que o VAR não corrigiu.

O Hellas Verona ia tentando controlar quase todas as iniciativas contrárias mas não conseguia esticar o jogo a zonas próximas da baliza de Buffon até que na primeira vez que chegou com relativo perigo marcou mesmo: Demiral fez falta na área, Di Carmine atirou a grande penalidade ao poste, a recarga bateu ainda na trave e, no seguimento do lance, Miguel Veloso marcou um golo fantástico de fora da área, num remate indefensável para o veterano guarda-redes que provou de novo como o médio de 33 anos passou ao lado de uma carreira que poderia ter sido maior após sair de Alvalade (Genoa, Dínamo Kiev e Verona). Ainda antes do intervalo, Ramsey, num remate também de longe que desviou num defesa antes de enganar Silvestri após assistência de Ronaldo, conseguiu fazer o empate mas havia muito para corrigir num conjunto ainda distante do que terá de fazer esta época.

No segundo tempo, os campeões italianos surgiram de forma diferente, com outra dinâmica ofensiva mais rápida e a envolver mais a entrada dos médios nos espaços em aberto por não haver nenhum ‘9’ de raiz na equipa, e chegaram ao 2-1 ainda antes dos cinco minutos iniciais, com Cristiano Ronaldo a marcar o segundo golo no Campeonato (marcara antes ao Nápoles, na segunda jornada) de grande penalidade após falta sobre Cuadrado (49′). Até ao final, até foi o Verona que andou mais perto do empate mas o resultado iria manter-se após nova exibição sofrível dos bianconeri. E numa semana marcada pela entrevista do português à ITV onde recordou os primeiros tempos em Alvalade, em que ia para o McDonald’s e havia uma “dona Edna” que lhe dava as sobras e que gostava agora de rever, o avançado ainda não encontrou a “amiga” de antigamente mas redescobriu o caminho para o golo que permitiu à Juve voltar aos triunfos na Serie A antes do AC Milan-Inter que se joga esta noite.