Com a maioria dos construtores de automóveis não alemães a optarem por não estar presentes no salão do maior mercado europeu, o alemão, o certame de Frankfurt foi o mais pobre de que há memória. Mas nem a falta de novidades e de motivos de interesse impediu a exposição de ser alvo de críticas, sobretudo por parte dos ambientalistas.

Acusando os fabricantes de veículos de colocarem o seu lucro acima dos interesses e necessidades dos seres humanos, muitos deles seus clientes, a Greenpeace e outros grupos ambientalistas organizaram uma imensa manifestação em que participaram cerca de 25.000 ciclistas, devidamente acompanhados pelos seus veículos de duas rodas. E quando Angela Merkel inaugurou o evento no dia 12, o dia em que abriu ao público, os manifestantes – aqui sem as bicicletas – fizeram questão de estar presentes, ruidosamente, em cima dos SUV com cartazes em que se podia ler “Clima Killers”.

Ao que parece, o objectivo dos manifestantes foi chamar a atenção dos fabricantes para o erro que consiste, segundo eles, em produzir carros muito grandes, altos e volumosos, referindo-se aos SUV. Isto e continuar a insistir na produção de motores a combustão.

Para o porta-voz do grupo ambientalista Sand im Getriebe (que, em português, significa algo como areia na engrenagem), a indústria automóvel “está sob pressão e já não conta com o apoio da sociedade como acontecia há uns anos atrás”, para concluir que “este salão de Frankfurt representa o passado”, afirmando que “não queremos os grandes SUV e outros automóveis que consomem demasiado”.

O problema para a indústria automóvel germânica é que é exactamente este segmento, o dos grandes automóveis e das versões mais potentes, que eles dominam e onde conseguem a maior fatia dos lucros. Contudo, não convém menosprezar os ambientalistas alemães, pois não só é uma corrente cada vez mais transversal à sociedade, como ao cativar muitos dos eleitores mais novos, é incontornável mesmo para os partidos tradicionais.