O Instituto Nacional de Transportes Terrestres (Inatter) moçambicano nomeou uma comissão para averiguar a emissão de cartas de condução, depois de indícios de corrupção revelados numa investigação, disse esta terça-feira fonte do organismo à Lusa.

A comissão vai auditar o sistema que emite cartas para identificar quais foram entregues sem cumprir os critérios regulares, acrescentou.

O Centro de Integridade Pública (CIP), uma organização não-governamental moçambicana, divulgou na segunda-feira uma investigação sobre alegados casos de corrupção no Inatter, em Maputo.

Segundo o relatório, cartas de condução são vendidas por cerca de 50 mil meticais (730 euros) a pessoas que nunca tiveram aulas, num esquema que envolve funcionários do instituto.

A situação torna-se mais relevante devido aos elevados níveis de sinistralidade rodoviária em Moçambique, destaca o CIP.

Um total de 1.254 pessoas morreram em acidentes de viação no país em 2018, de acordo com dados da polícia compilados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo o INE, a percentagem de mortes por número total de vítimas anual subiu de 27,9% em 2017 para 32,8% em 2018.

A sinistralidade rodoviária tem estado abaixo dos níveis registados nos países vizinhos, de acordo com dados oficiais, mas o país lusófono tem também uma das redes viárias menos desenvolvidas.