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De enxada na mão para plantar uma árvore, André Silva acusa Governo de "falta de visão" ao privilegiar plantação de eucaliptos

Este artigo tem mais de 1 ano

André Silva andou na serra de Monchique, ardida no ano passado, para criticar a permissividade na plantação de eucaliptos. Plantou um ulmeiro e disse que é preciso diversificar a floresta nacional.

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André Silva percorreu trilhos na serra de Monchique, para ver o que ardeu no ano passado

LUÍS FORRA/LUSA

André Silva percorreu trilhos na serra de Monchique, para ver o que ardeu no ano passado

LUÍS FORRA/LUSA

Mais de um ano depois do incêndio que devastou a região, a serra de Monchique ainda não voltou ao normal. Os sobreiros queimados, mortos, ainda povoam a colina da Picota, o segundo ponto mais alto do sul do país, um dos principais maciços de separação entre o Alentejo e o Algarve. “Nunca tinha ardido. O impossível aconteceu“, conta Ana Nunes, uma das responsáveis da plataforma Monchique Alerta, que no final da tarde desta quinta-feira guiou o porta-voz do PAN, André Silva, por entre as árvores ardidas.

Para terminar a passagem de dois dias da caravana do PAN pelo Alentejo e Algarve, André Silva escolheu um dos locais mais afetados pela tragédia dos incêndios em Portugal nos últimos anos e aproveitou para criticar “o total desordenamento, a falta de regras, a regulamentação que não foi nenhuma” da liberalização da plantação de eucaliptos feita pela então ministra da Agricultura Assunção Cristas (que fez aprovar o deferimento tácito de autorizações para a plantação de eucaliptos em terrenos com menos de 2 hectares).

O porta-voz do PAN ouviu da boca de Ana Nunes, uma antiga professora que reside em Monchique e que esteve na origem daquele movimento de cidadãos que pretende proteger a serra, a realidade da plantação de eucaliptos na região. “Um sobreiro que ardeu vai ser substituído naturalmente“, começou por explicar a mulher, sublinhando que a floresta autóctone se auto-regenera. Porém, “só daqui a 30 anos é que se tira a primeira cortiça virgem, e depois só daí a 10 anos é que se pode tirar outra vez”. Ora, com pelo menos 40 anos de espera até um novo sobreiro dar rendimento, muitas pessoas optam por plantar eucaliptos, que em média se tornam rentáveis após sete anos.

Ana Nunes enquanto mostra à comitiva do PAN a floresta ardida em Monchique (JOÃO FRANCISCO GOMES/OBSERVADOR)

Claro que compreendo essas pessoas“, admitiu André Silva, assumindo que é normal que quem depende dos rendimentos da floresta necessite de garantir sustento. Porém, a responsável da associação local, que tem estudado o fenómeno no Algarve e em particular na serra de Monchique, explicou que o problema é cíclico. “Eu falava com as pessoas e ouvia-as dizer: ‘Secou-se-me a fonte desde que o meu compadre plantou eucaliptos‘. E as pessoas não se podiam revoltar, porque quase sempre era alguém da família ou da própria casa. Ficavam sem água para os cultivos e pensavam: ‘Estão eles com os rendimentos e eu não’. Então, plantavam também eucaliptos”, resumiu.

Para André Silva, a solução passa por “alterar o mosaico, diversificar a paisagem”, através da plantação de diferentes espécies. “Isso só se consegue com fixação de pessoas no interior. Uma das soluções passa por aumentar as áreas de reserva e proteção especial”, disse o porta-voz do PAN, sublinhando a necessidade de reforçar estas áreas “com recursos humanos que fiscalizem e protejam” e também de atrair turismo para o interior. “Se queremos aumentar o fluxo turístico em Portugal ele não deve ser orientado para o litoral, mas sim para o turismo de natureza”, afirmou André Silva, assinalando que uma das atividades mais procuradas pelos turistas em Portugal é a observação de aves — e, neste campo, “Portugal tem um potencial enorme“.

No que toca à diversificação das espécies de árvores na região, André Silva deu um contributo pessoal, plantando um ulmeiro naquele que será o futuro Jardim Botânico das Caldas de Monchique — um projeto coordenado pelo jornalista e ecologista alemão Uwe Heitkamp, que vive há 30 anos no Algarve (e cuja história completa pode, aliás, ser lida nesta reportagem do Observador). Uwe, um dos membros da associação Monchique Alerta, disse aos jornalistas que acompanhavam a visita de André Silva à serra que deverá arrancar nas próximas semanas uma campanha de financiamento colaborativo para angariar fundos destinados a investir na instalação de quatro grandes cisternas que permitam aos produtores locais armazenar água e responder com rapidez a pequenos incêndios.

O Jardim Botânico das Caldas de Monchique deverá contar com perto de mil árvores, de diferentes espécies, e ficará instalado numa área que ardeu e que agora está a ser recuperada pelo alemão — que já não se diz alemão nem português, mas sim “monchiquense”. Cada uma das árvores ali plantadas terá o certificado de compensação para 10 quilogramas de dióxido de carbono emitidos para a atmosfera. Apesar da variedade de espécies, há duas que ali não vão entrar: nem o eucalipto nem a acácia. André Silva concorda, embora recuse demonizar o eucalipto. “Uma espécie não é responsável”, afirmou. O que se passa, entende, é que “o Governo não está a ter uma visão a longo prazo e continua a privilegiar espécies que não estão enquadradas no local onde são colocadas“.

A passagem de André Silva pelos distritos de Beja e Faro conclui os dois primeiros dias de campanha, que ficaram marcados essencialmente pelo foco nos direitos dos animais e nas críticas à exploração agrícola intensiva. Com uma agenda compacta, mas curta — e porque não tem estruturas locais com a dimensão das dos outros partidos —, o PAN tem concentrado a campanha em visitas a locais e a associações com o objetivo de destacar os temas que pretende. Por isso, a campanha do Pessoas-Animais-Natureza opta por não realizar comícios noturnos nem arruadas, o que tem reduzido em grande medida o contacto direto de André Silva com as populações. O candidato organiza, em lugar dessas iniciativas, o “Pergunta-me o que quiseres” — fica com a equipa em alguns lugares previamente anunciados e coloca-se ao dispor de quem quiser esclarecer dúvidas sobre o partido. Nos dois primeiros dias, em Castro Verde e em Faro, foram poucos os que abordaram a caravana do PAN.

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