O líder do Movimento Alternativa Socialista (MAS), Gil Garcia, defendeu esta quinta-feira que o partido “seria muito mais exigente” do que CDU e BE no parlamento, considerando que a “proximidade ao poder” ajudou “a amolecer” a esquerda parlamentar.

“O MAS na Assembleia da República seria muito mais exigente do que a CDU ou o Bloco de Esquerda”, vincou à agência Lusa Gil Garcia, que esteve esta quinta-feira frente a uma escola em Mira-Sintra, solidarizando-se com um protesto organizado pelo Sindicato de Todos os Professores (STOP), para exigir a retirada de amianto dos estabelecimentos de ensino.

O dirigente partidário defendeu que “a proximidade ao poder ajuda a amolecer as forças políticas” e a proximidade da esquerda parlamentar ao Governo socialista, nos últimos quatro anos, tornou bloquistas e comunistas “muito menos exigentes do que em anos passados”.

Recordando as várias greves que decorreram durante a última legislatura, Gil Garcia afirmou que o apoio de BE e CDU ao Governo de António Costa fez com que a bancada à esquerda no hemiciclo se tornasse “mais afastada dos que estão em baixo a sofrer” e, por essa razão, “é indispensável” a representação parlamentar do MAS.

Num balanço da campanha para as eleições legislativas de 6 de outubro, no penúltimo dia, o líder do Movimento Alternativa Socialista considerou que vai haver “uma boa votação no MAS, ao nível daquilo que é expectável”, nos oito círculos eleitorais onde o partido está a concorrer.

Por ser necessária “uma esquerda mais exigente, mais combativa”, Gil Garcia espera a eleição de, pelo menos, um deputado, para andar “sempre atrás do Governo”.

“O Governo é muito insensível a vários setores da população”, afirmou, acrescentando que, se o partido conseguir representação parlamentar, vai questionar o executivo sobre “a questão do amianto”.

O dirigente deslocou-se até à escola onde decorria o protesto para apoiar o sindicato e “denunciar publicamente a duplicidade” do Governo de António Costa. “Não vale tudo para ter votos, é preciso estar com as pessoas quando elas precisam”, finalizou.

As legislativas para eleger os 230 deputados à Assembleia da República estão marcadas para domingo, e concorrem a esta eleição, a 16.ª em democracia, um número recorde de forças políticas — 20 partidos e uma coligação.