Os eleitores em Portugal “deram um prémio ao Partido Socialista por fazer regressar o país ao crescimento robusto e à saúde orçamental”, entende o New York Times. O jornal norte-americano fala de António Costa como “algo raro na Europa — não só é um chefe de governo socialista, como supervisiona uma economia sólida, ajudada pelo turismo e por investidores estrangeiros, que provou aos críticos que estavam errados”, porque é capaz de ter disciplina orçamental. As eleições “sugerem que a oposição de centro-direita teve uma derrota estrondosa”, diz ainda o NYT.

Ainda nos EUA, o Washington Post lembra que “outros partidos socialistas perderam terreno na Europa nos últimos anos” e, tal como o New York Times, diz que “o Governo de António Costa ganhou respeito ao provar que os céticos estavam errados ao dizerem que iria gastar de mais”

No Reino Unido, o Financial Times diz que “este é o mais recente sinal de ressurgimento de partidos sociais-democratas tradicionais na Europa, depois das vitórias do centro-esquerda em eleições nacionais na Dinamarca, Espanha, Finlândia e Suécia”. Mas o jornal financeiro também avisa que, ao falhar uma maioria absoluta, pode haver “riscos para a estabilidade política de Portugal se António Costa encontrar dificuldades em reunir uma maioria sólida e funcional”.

O Guardian, por outro lado, destaca que “António Costa contraria a tendência de infortúnio da esquerda europeia, mas não chega para uma maioria absoluta”. Ângulo também escolhido pela BBC: “Socialistas ganham sem maioria absoluta”.

Em Espanha, o El País fala numa “vitória expressiva”, com que António Costa procura agora “reeditar a solução de governo da passada legislatura”, aproximando-se do PCP e do BE. E o El Mundo, além de sublinhar a vitória do PS, nota que “a direita clássica colapsou” e Portugal “perde o seu estatuto como único país da Europa sem extrema-direita presente num órgão legislativo”

Em França, o Figaro destaca a falta de maioria absoluta e Le Monde considera a vitória “sem nuances” de António Costa como “uma proeza”, tendo em conta “a vaga de candidatos antisistema” na Europa.

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