A pré-temporada foi má, a entrada na época oficial com a Supertaça péssima, o desenvolvimento do Campeonato ainda pior. Começou Marcel Keizer, prosseguiu Leonel Pontes de forma interina, chegou Silas. Ainda assim, pelos resultados e não pelas exibições, a estreia do novo técnico conseguiu esvaziar a panela de pressão em que se tinha transformado um clube por si só pressionado com as suas poucas luzes e as muitas sombras: uma vitória na Vila das Aves pela margem mínima, um triunfo (enganador) com o LASK em casa, a paragem para os compromissos das seleções. Esta quinta-feira à noite, o campeão em título da Taça de Portugal voltava à ação. E foi eliminado.

À semelhança do que tem acontecido nas últimas semanas de forma mais acentuada, Frederico Varandas, líder do Sporting, foi o alvo principal da contestação. De forma muito ténue antes do jogo, de maneira mais audível durante o jogo, com a maior expressão no final do jogo – e com muitos assobios e alguns insultos aos jogadores também quando recolhiam aos balneários. Os adeptos que se deslocaram a Alverca na noite desta quinta-feira não foram muitos a comparar com outros jogos fora mas mostraram o seu descontentamento.

“Está na hora do Varandas ir embora” e “Varandas, pede a demissão” foram dois dos cânticos surgidos na zona das claques verde e brancas. Cá fora, houve ainda um momento de maior tensão quando adeptos das duas equipas se cruzaram na zona de estacionamento, com algumas agressões antes da rápida intervenção das forças policiais que, logo após esse incidente, acabou por “limpar” essa parte dos arredores do recinto, não se tendo registado mais nenhum problema de maior até à saída do autocarro do Sporting de Alverca.

Já o presidente leonino, depois de ter recusado numa primeira instância prestar declarações, acabou por parar a caminho da viatura em que saiu do Complexo Desportivo para uma curta declaração com três frases e 35 palavras antes da despedida. “Infelizmente hoje não há muito a dizer. Não há desculpas para o que se passou hoje, não há a mínima desculpa. Estamos envergonhados e este grupo tem de reagir, é uma obrigação ter de reagir. Muito boa noite”, atirou, saindo de imediato em direção da viatura.

Em Alvalade, que logo a seguir ao jogo começou a ficar repleto de forças policiais por uma mera questão de prevenção, um grupo com cerca de 20/30 adeptos acabou por descer da Avenida Padre Cruz numa altura em que o autocarro leonino estava a chegar ao estádio, o que levou a um reforço com spotters e polícia de intervenção. O cordão de segurança montado evitou qualquer tipo de proximidade e contacto mas, além dos gritos de “vergonha” para os jogadores, Varandas voltou a ser o principal alvo da contestação com mais pedidos de demissão.