O comentador político Marques Mendes classificou este domingo André Ventura, deputado único do Chega, de ser “politicamente perigoso”. No espaço de comentário semanal na SIC, Luís Marques Mendes diz que o deputado único do partido “não está verdadeiramente apaixonado por nenhuma das causas que defende” e que, por isso, tem capacidade para “ir encenando o discurso consoante os auditórios”.

De entre os três novos partidos no hemiciclo, Marques Mendes afirmou que o Livre é, neste momento, “uma incógnita” apontando para as diferenças de discurso e posicionamento político entre o Livre no Parlamento e o “Livre de Rui Tavares”, fazendo notar o radicalismo no discurso da deputada Joacine Katar Moreira. Sobre o Iniciativa Liberal, ao qual o deputado único do partido anunciou este domingo que seria candidato à liderança, Marques Mendes teme que este seja um “epifenómeno”, ao não saber aproveitar o resultado das eleições, de uma campanha bem conseguida ao nível do marketing.

Sobre o Chega, Marques Mendes afirma que é “à partida o que tem maior potencial de crescimento”, resultado do tipo de discurso do deputado único. Mas, de acordo com o comentador político, isso também é consequência das críticas da esquerda, de que o Chega tem sido alvo, que o partido mais “se alimenta”.

Há uma histeria na extrema-esquerda, quer a extrema-esquerda política, quer no comentário, que faz ataques radicais, sistemáticos, permanentes ao Chega. Acho que isso é a melhor coisa que pode acontecer ao Chega, dá-lhe alimento, notoriedade para crescer.

O comentador fez notar que “este é um exercício de oportunismo” e que as críticas permanentes valorizam o deputado, fazendo dele “a dada altura um moderado” frisando que “convinha geri-lo, talvez, com mais inteligência”.

E Marques Mendes foi claro, também, a apontar de entre os partidos no hemiciclo quais sairão mais prejudicados de um eventual crescimento do Chega: o CDS e o PCP. Em lados opostos da bancada, o comentador político considera que nos “eleitorados mais conservadores”, à esquerda e à direita, “o discurso de Ventura entra com mais facilidade”.

Sobre os discursos mais radicais, Marques Mendes notou ainda a existência do Movimento Zero e a participação deste na manifestação da próxima quinta-feira. O comentador político reconheceu que as reivindicações das forças policiais são “legitimas” e afirmou que “o Governo devia ter mais atenção ao setor e à classe”, mas frisou que a existência de casos de violência durante a manifestação será “um desastre para todos”, principalmente para os polícias que perderiam a razão da sua luta.

Sobre a prisão preventiva da mãe do bebé abandonado num ecoponto em Lisboa, Marques Mendes defendeu que a mulher devia ter sido institucionalizada e não presa preventivamente. “É uma solução que a lei permite e que teria inegáveis vantagens para todos. Que ela cometeu um crime grave, sem dúvida, mas neste caso concreto provavelmente havia uma alternativa melhor para todos. Numa instituição continuava privada da liberdade, não existia o perigo de fuga nem de perturbação. Os pressupostos da prisão preventiva estavam garantidos”, afirmou acrescentando que é necessário “apoiar socialmente” a mulher agora detida.

No espaço “melhor e pior da semana”, o comentador escolheu João Galamba, secretário de Estado Adjunto da Energia como o pior da semana, na sequência do incidente em Boticas, quando foi recebido com uma manifestação popular. “Confrontou-se com uma manifestação e em vez de fugir, talvez seja mais pedagógico falar do assunto. Anda há semanas a falar do assunto e ainda não foi capaz de dar uma explicação, clara, assertiva e convincente sobre a matéria”, disse acrescentando que João Galamba “devia deixar-se das desculpas e assumir as suas próprias responsabilidades”.