No total, 18 obras previstas no programa Ferrovia 2020 foram atrasadas ou adiadas pela Infraestruturas de Portugal (IP), sendo uma outra cancelada. De acordo com o Jornal de Notícias e o Dinheiro Vivo este programa de recuperação e modernização dos caminhos de ferro nacionais foi apresentado em 2016 e previa um investimento de cerca de dois mil milhões de euros.

O projeto pretendia abranger todo o país, logo este recuo vai fazer-se sentir de norte a sul. Começando pela Linha do Douro, por exemplo, a eletrificação do troço entre Marco de Canaveses e Régua, cuja conclusão estava prevista para o final deste ano, foi cancelada por causa de uma alteração do “consórcio projetista” — “As dificuldades técnicas evidenciadas pelo consórcio projetista obrigaram à revogação do contrato. A IP está atualmente a concluir a contratação de um novo consórcio projetista”, contou fonte da IP ao diário.

Ainda por essas latitudes, na Linha do Norte foi atrasada a renovação da ligação entre Válega e Espinho, cuja conclusão estava prevista para final do passado mês de setembro mas afinal só ficará concluída algures “entre 2022 e 2023”, estando programado para 2020 o lançamento do concurso da empreitada. A eletrificação da Linha do Minho e dos troços algarvios que ligam Tunes com Lagos e Faro com Vila Real de Santo António também vão receber uma nova data de conclusão: no primeiro caso, os habitantes de Valença vão ter de esperar até 2020 para começar a ver carruagens movidas a eletricidade (de acordo com o programa lançado em 2016 esse momento devia ter acontecido no primeiro trimestre deste ano); no segundo, mais a sul, estima-se que a renovação seja concluída algures no segundo trimestre de 2023, registando-se um atraso de quase dois anos por culpa, diz a IP, das avaliações de impacto ambiental.

Estes contratempos acabam por atrapalhar as ambições do novo Governo de António Costa. Ainda há pouco mais de um ano, o próprio primeiro-Ministro declarou que a ferrovia era uma das “prioridades” do executivo e que era preciso “”fazer o que ainda não foi feito”. E recentemente Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e Habitação, voltou a referir a importância da Ferrovia como sector estratégico do país.