Dezenas de pessoas ficaram feridas em confrontos entre apoiantes e opositores do presidente do Líbano em várias cidades e localidades do país durante a noite de domingo para esta segunda-feira, indicou a Cruz Vermelha libanesa.

As rixas com arremessos de pedras na cidade de Tripoli (norte, a segunda maior do Líbano) causaram 24 feridos, sete dos quais foram transportados para o hospital.

Os protestos governamentais, desencadeados a 17 de outubro, têm sido na sua grande maioria pacíficos, mas com o arrastar do impasse político os ânimos vão-se exaltando.

O presidente Michel Aoun ainda não consultou os partidos para se escolher um novo primeiro-ministro, após Saad Hariri se ter demitido há um mês. Hariri, que apresentou a resignação em resposta às manifestações contra a corrupção, incompetência e a má gestão da elite no poder, anunciou na terça-feira que não se recandidatará à chefia do governo. Segundo a agência noticiosa norte-americana Associated Press, Hariri era o favorito de Aoun e do movimento xiita libanês Hezbollah, que integra a coligação governamental.

Os manifestantes têm recorrido ao corte de estradas e outras táticas num esforço para pressionar os políticos a darem resposta ao seu pedido de um novo governo.

O impasse prolongado tem vindo a acordar rivalidades sectárias e políticas, assinala a AP, notando que se registam confrontos em áreas que eram linhas da frente durante a guerra civil no Líbano entre 1975 e 1990.

Apoiantes dos dois principais grupos xiitas, o Hezbollah e o movimento Amal, ligado ao presidente do parlamento Nabil Berri, atacaram na noite de domingo manifestantes na Ring Road, estrada que no passado ligava a zona oeste da cidade predominante muçulmana à área cristã no leste.

Alguns dos confrontos mais intensos da última noite ocorreram numa zona entre o subúrbio xiita de Chiyah e a área cristã adjacente de Ein Rummaneh, envolvendo apoiantes do Hezbollah e grupos rivais adeptos das Forças Libanesas (partido cristão de direita).