A adesão à greve às horas extraordinárias dos técnicos das operações aeroportuárias da Aerogare Civil das Lajes, nos Açores, iniciada na quarta-feira, foi de 100%, mas teve pouco impacto nas operações, segundo o Sintap.

“Temos uma adesão a 100% ao nível do serviço extraordinário”, adiantou à Lusa Amílcar Martins, delegado do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública e Entidades com Fins Públicos (Sintap).

A greve, iniciada na quarta-feira e que se estende até 31 de dezembro, engloba apenas as horas extraordinárias, ou seja, o período entre as 21h e as 7h, por isso, o impacto ainda não foi “significativo”. “Tem havido alguns atrasos na saída dos voos, mas não muito significativos, porque só temos um voo de manhã”, revelou o delegado sindical.

Segundo Amílcar Martins, as companhias aéreas já estão a par da paralisação, por isso evitam operar neste horário, mas as condições meteorológicas adversas, habituais nesta altura do ano, poderão obrigar a alterações.

Os cinco técnicos de operações aeroportuárias no quadro da Aerogare Civil das Lajes, na ilha Terceira, reivindicam uma revisão da carreira e o reforço do efetivo. “Estamos neste momento cinco elementos no quadro, quando deviam estar nove, e já tivemos aqui situações de atestados médicos colocados, com pessoas que tiveram doenças mais prolongadas, em que o serviço ficou apenas assegurado por parte de três pessoas”, adiantou o delegado do Sintap, aquando do anúncio da greve.

Ao contrário do que acontece nos aeroportos de Ponta Delgada (São Miguel), Santa Maria, Horta (Faial) e Flores, nos Açores, geridos pela ANA — Aeroportos de Portugal, a Aerogare Civil das Lajes, na ilha Terceira, tem gestão pública. Segundo Amílcar Martins, há quatro anos que o sindicato alerta para a falta de pessoal, sem que algo tenha sido feito por parte da administração ou do Governo Regional dos Açores.

A carreira dos técnicos de operações aeroportuárias foi classificada como subsistente, o que “impossibilita o recrutamento de mais pessoas”, mas com a certificação do aeroporto para uso permanente pela aviação civil, em julho de 2018, o trabalho aumentou e os funcionários, que têm todos mais de 50 anos, sentem “algum desgaste”. “Nós vamos envelhecendo, as tarefas aumentaram, temos aqui um problema. É necessário, de facto, mais pessoas, mas como a carreira está classificada como subsistente não é possível fazer o recrutamento enquanto não criarem uma nova carreira”, salientou o delegado sindical.

A greve às horas extraordinárias é também uma manifestação contra a proposta de revisão da carreira apresentada pelo Governo Regional, que segundo o Sintap prevê uma regressão nas condições laborais. “Com esta última proposta, em relação à região e ao continente, nós continuamos a ser os profissionais mais mal pagos”, frisou Amílcar Martins, acrescentando que a nova carreira prevê ainda baixar alguns níveis remuneratórios e aumentar a distância entre progressões.

O sindicalista acrescenta que, apesar das tentativas do Sintap, a via da negociação coletiva foi “sempre negada por ausência de respostas ou por respostas muito vagas”. “A última comunicação que tivemos foi a tal proposta que nos foi praticamente imposta. Nós tentámos contrapor com os nossos contributos e as nossas opiniões, mas não houve qualquer resposta em relação àquilo que enviámos para a tutela. Sentimos que efetivamente não há uma negociação neste assunto, há uma imposição”, apontou.

Além de se sentirem “desvalorizados e discriminados” em relação aos colegas dos aeroportos geridos nos Açores pela ANA, os técnicos de operações aeroportuárias da Aerogare Civil das Lajes dizem que houve “mais empenho e maior sensibilidade” da administração para a criação de outras carreiras na infraestrutura.