A vitória do Benfica frente aos croatas do RK Nexe na Luz, com Ristovski a defender um livre de sete metros no último lance do jogo depois de Paulo Moreno ter feito o 28-24 a nove segundos do final, foi uma espécie de “selo de ouro” numa temporada marcada pelo sucesso das equipas portuguesas nas provas europeias. As águias avançaram para a fase de grupos da Taça EHF, já depois de vários brilharetes do FC Porto na Liga dos Campeões (como os triunfos fora com os poderosos Kiel ou Montpellier) e do Sporting no grupo B da Champions, onde conseguiu ir para já ao playoff de apuramento para os oitavos da prova onde deverão chegar também os dragões. No entanto, e passando para a realidade nacional, o Campeonato tem sido sobretudo resumido a uma luta a dois.

Com 15 jornadas disputadas, com maiores ou menores facilidades, Sporting e FC Porto lideram com 44 pontos em 45 possíveis, somando 14 vitórias e um empate no Dragão. Em terceiro lugar encontra-se o Benfica que, depois de duas derrotas em casa frente aos rivais que não deixaram dúvidas (sobretudo contra os azuis e brancos), foi surpreendido esta semana na deslocação a Braga para defrontar o ABC, passando a ter 39 pontos (12 triunfos e três desaires). Por isso e pela margem de erro mais diminuta numa época onde saiu Alexandre Cavalcanti mas vieram nomes de peso como René Toft Hansen, Molina ou Djordjic, as águias estavam pressionadas a ganhar.

No entanto, essa necessidade de vencer para não perder mais terreno durou menos de meia tarde, com os leões a conseguirem assentar o seu jogo e a “cavarem” um fosso ainda antes do intervalo que permitiu outro tipo de gestão até ao final para mais um triunfo (26-21) no dérbi disputado no Pavilhão João Rocha.

Depois de um arranque equilibrado, com vantagens de ambos os conjuntos e com os dois guarda-redes em plano de destaque, Ghionea marcou um livre de sete metros e conseguiu pela primeira vez dar uma vantagem de dois golos ao Sporting a meio da primeira parte (6-4). Nem de livre de sete metros Cudic, o dono da baliza verde e branca, dava tréguas a Djordic (defendeu os dois primeiros castigos máximos) mas um desconto de tempo pedido por Thierry Anti acabou por funcionar ao contrário, com o Benfica a crescer e a passar para a frente (10-9).

Carlos Resende tinha parado também o jogo, Pedro Seabra consumou a recuperação dos encarnados mas houve a partir daí um eclipse total do conjunto da Luz até ao intervalo que seria determinante para resolver o dérbi: sem conseguir marcar ao longo de quase sete minutos, fruto não só da exibição de sonho de Cudic mas também do aumento da agressividade defensiva dos visitados, o Sporting empatou, passou para a frente e foi aumentando de ataque em ataque que fazia uma vantagem que chegou aos cinco golos no intervalo (15-10).

Nos primeiros cinco minutos do segundo tempo, os comandados de Thierry Anti mantiveram o pé no acelerador, chegaram aos sete golos de avanço (18-11 e 19-12) mas começaram a entrar em velocidade cruzeiro demasiado cedo no jogo, permitindo que os encarnados recuperassem a esperança apesar das tentativas de paragem dos leões, passando para cinco (19-14) e três golos de atraso (20-17) a meio da segunda parte. No entanto, mais uma série de ataques falhados pelo Benfica, algumas bolas no poste à mistura e a estabilização do jogo ofensivo do Sporting terminaram de vez com a história do jogo, que foi avançando já com o Pavilhão (bem composto) em festa.

Com este resultado, o Sporting mantém a liderança do Campeonato com 47 pontos (o FC Porto joga apenas mais logo, em Setúbal frente ao Vitória), mais sete agora do que o Benfica que somou a quarta derrota na competição. Na próxima jornada, que se realiza já quarta-feira, os leões têm uma complicada deslocação a Braga para defrontar o ABC, ao passo que o FC Porto recebe o Belenenses e o Benfica tem pela frente o Avanca.